Fonte: Jana Tabak, JB Online
A curiosidade é a porta de entrada para os jovens integrantes das comunidades de software livre no Brasil, segundo a pesquisa desenvolvida no Coppead pelo Mestre em Administração Maurício Pires Augusto. A defesa do código aberto e do fim das patentes é, na maior parte dos casos, o que determina a permanência das pessoas nesta área. Além disso, o lado profissional dos grupos, apesar de ainda obscuro, indica crescimento.
A pesquisa foi realizada durante os meses de julho e agosto de 2003 com base em 102 questionários.
- Procurei os entrevistados nos grupos de discussão da Conectiva, Openoffice.org, Debian e Curumin - conta Augusto.
As 18 perguntas da pesquisa foram divididas em três aspectos que motivariam os desenvolvedores de software livre. O primeiro seria a questão tecnológica. Os outros fatores seriam psicológicos e econômicos. Além disso, os participantes responderam perguntas demográficas.
Ao utilizar uma técnica de estatística, as questões foram agrupadas em seis assuntos mais importantes - hobby, reputação, aprendizado, ideologia, lucro e a capacitação para suporte de outros usuários de programas com código aberto.
Depois disso, os entrevistados foram divididos em três grupos com perfis específicos.
- Os hackers, que constituem o grupo maior, com 50%, acreditam que a informação deve ser livre e orgulham-se de ajudar usuários em dificuldades e de participar da comunidade. Os estudiosos, 25%, estão mais interessados em melhorar seus conhecimentos em computação e adaptar ferramentas de ponta às suas próprias necessidades; e os profissionais, 25%, buscam oportunidades de transformar seus conhecimentos em produtos e serviços. É a turma mais preocupada com a empregabilidade - afirma Augusto.
Ao contrário do que a maioria dos brasileiros acreditam, as comunidades de software livre não são recentes. Segundo o estudo, 51% dos participantes já se dedicam à área há, no mínimo, três anos.
O resultado da pesquisa também indica que a maioria dos desenvolvedores são homens - apenas três mulheres responderam o questionário - e 80% das pessoas estão na faixa etária de 16 e 35 anos.
A forte presença de uma ideologia nas comunidades de software livre também aparece na questão relacionada ao local de uso de programas de código aberto. Dos entrevistados, 67% utilizam os softwares tanto em casa quanto no escritório.
- A principal conclusão da pesquisa é que o software livre deixou de ser visto apenas como brincadeira de jovens. O mercado existe, tornando possível aliar o ideal ao lucro - resume Augusto.
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