LOGIN:

iMasters | Por uma internet mais criativa e dinâmica

Feeds

Quarta-feira, 03/09/2008 - 15:00 - Por Frederick van Amstel
Seções relacionadas:

Designer: acessibilidade é bom pra você também

Você pode não saber exatamente o que é acessibilidade, mas certamente já precisou dela um dia.

Se você já quebrou a perna e teve que subir uma escada de muletas, sabe a falta que faz uma rampa para uma pessoa que tem de usar muletas a vida inteira.

Quando você era criança, você queria ligar no orelhão pra passar trote e não conseguia porque era muito alto. "Telefone é coisa de gente grande", diziam os adultos, mas e quanto aos adultos que usam cadeira de rodas e precisa fazer uma ligação urgente?

Neste momento, enquanto você lê esse texto, você pode achar que a fonte está grande ou pequena demais para a sua vista. Se você tem um mouse com rodinha de rolagem, você pode segurar a tecla Ctrl (windows) ou Command (mac) e girar a rodinha; o texto vai aumentar ou diminuir de acordo com a sua vontade. Legal isso né?

Mas e se você não tivesse como usar o mouse? Sim, pode ser que você não tenha nascido com dificuldades motoras, mas pode adquiri-la futuramente se quebrar um braço, se for alcoólatra, se vier a sofrer de Parkinson e etc. Nesse caso, basta usar as teclas Ctrl ou Command combinadas com as teclas + ou - para ter o mesmo efeito.

Essas opções de acessibilidade estão embutidas no seu software navegador, mas se eu tivesse bloqueado a mudança do tamanho do texto usando uma medida fixa para a fonte, pode ser que você não conseguisse usá-las.

Por que eu faria isso? Ora, pra que meu layout fique sempre igual do jeito que eu quero e quem não conseguir ler, que diminua a resolução do monitor. Ou talvez eu faça isso porque é mais fácil. Se usar um tamanho de fonte relativo, terei que garantir que todo o layout se ajuste, o que daria um trabalhão e os clientes não iriam me pagar o extra. Não vale a pena.

Economizando desse jeito, logo consigo juntar uma grana pra comprar um PDA com acesso à Internet . Abro este site no navegador do PDA pra mostrar pros meus amigos e o danado do site fica todo desconjuntado porque eu mesmo defini que ele é "melhor visualizado com Internet Explorer 6.0, 1024x768 pixels de resolução e Flash Player versão 9 instalada". A vergonha dá pra disfarçar com uma desculpa esfarrapada, mas e se fosse uma situação crucial na qual eu precisasse muito das informações do site?

O fato é que, mais cedo ou mais tarde, seremos vítimas das barreiras que nós mesmos criamos. Se é assim, por que não se esforçar para evitar as barreiras? Nós saímos ganhando com isso; nossos amigos saem ganhando com isso; pessoas que nem conhecemos saem ganhando com isso; enfim, a sociedade como um todo sai ganhando com isso.

Oxo: exemplo de sucesso

Sam Farber tinha uma fábrica de utensílios domésticos chamada Copco nos Estados Unidos. Ele sempre se preocupou em criar produtos acessíveis para pessoas idosas e com deficiências físicas, mas isso não era o foco da empresa. Quando se aposentou, ele e sua esposa passaram algumas semanas na França e os utensílios à disposição eram terríveis para quem tinha artrite como a esposa de Sam. Sam decidiu voltar à ativa e fundou a Oxo International com a proposta de design universal como missão da empresa. Os novos produtos ganharam visibilidade na mídia e cairam no gosto popular. Mesmo quem não tinha nenhuma deficiência, preferia comprar Oxo pela facilidade de uso. A empresa ganhou vários prêmios e Sam pôde se aposentar de novo, agora com a satisfação de ter contribuído e muito para um mundo melhor.

Acessibilidade em três passos

Primeiro passo: não exclua ninguém, a não ser o preconceito. Mesmo que determinadas pessoas não se encaixem no público-alvo do projeto, elas devem ter livre acesso. Você não gostaria de ser barrado numa portaria de um prédio só porque não faz parte do "público-alvo" do prédio, não é mesmo? Discriminação é crime, mas, através do design, a discriminação pode se reproduzir da forma mais cruel e imperceptível possível, mesmo aos olhos do próprio designer. Designers precisam conscientizar-se de que o diferente não é ameaçador; pelo contrário: é com ele que aprendemos coisas novas.

Segundo passo: flexibilize o acesso. Todas as pessoas são iguais perante a Lei e, portanto, têm os mesmos direitos. No entanto, a maneira como cada pessoa goza de seus direitos é diferente, já que cada pessoa tem um corpo diferente, pensa diferentemente e age diferentemente. Os objetos e ambientes projetados são os mesmos para muitas pessoas, mas eles podem ser flexíveis a ponto de suportar algumas diferenças básicas. Algumas pessoas são altas e outras baixas e, para não impedir o acesso de ambos, devemos ter degraus baixos e portas altas. Nivelamos pelo percentil 5 e 95. Quando a diferença é na percepção sensorial, devemos oferecer conteúdo alternativo para outros sentidos: textos que podem ser lidos por surdos, oralizados ou sintetizadores de voz para cegos, por exemplo. Por fim, devemos permitir que as pessoas acessem com diferentes apetrechos (carro ou bicicleta; laptop ou smartphone) e encontrem caminhos alternativos para chegar aonde elas querem (sinalização de orientação ou balcão de informações; navegação por menus ou busca por palavra-chave).

Terceiro passo: se coloque no lugar do outro. Teste o que você projetar. Baixe o leitor de telas Jaws e tente navegar no seu website de olhos fechados, usando apenas o teclado. Se você não for cego, isso só vai te dar uma sensação próxima da que passará um cego de verdade, pois ele não poderá abrir os olhos quando chegar numa parte confusa. Por outro lado, eles estão muito mais acostumados do que você a se virar em situações como essa. Celebre a diferença observando como as outras pessoas acessam seus projetos e aprenda com isso. Tome como guia os princípios de Empatia e de Crítica.

Chamando à responsabilidade

A Acessibilidade é uma área que justifica especialistas como os meus colegas da Acesso Digital, mas isso não significa que todo o trabalho deve ser empurrado a alguém que entenda do assunto. Entender do assunto é responsabilidade social de todo designer. O design acessível pode permitir que as pessoas façam coisas maravilhosas que, sem ele, seriam impossíveis. A Leda e o MAQ sempre foram vozes muito ativas nas atividades da Acesso Digital e nesse vídeo não foi diferente. Quem viu, viu; quem não viu, ouviu; quem não ouviu, leu e quem não viu, não ouviu e não leu, não sabe o que está perdendo.

Todos os artigos de Frederick van Amstel

2 comentários publicados

  • 1. Muito bom, mas tenho uma dúvida

    Quarta-feira, 03/09/2008, por Rafael Cortez

    Muito bom, mas tenho uma dúvida

    O Jquery é acessível? Pois tenho o script ?Coda Slider Effect? no site que estou fazendo, mas o DaSilva não aceita o Jquery.

    Obs: o Mootools passa pela avaliação.

    Responder comentário
  • 2. Quando ficar velho quero navegar na internet!!!

    Quarta-feira, 08/10/2008, por Alex Leandro Belarmino Medeiros

    Primeiramente, parabéns pelo artigo.
    Meu pensamento é igual ao seu.

    "mais cedo ou mais tarde, seremos vítimas das barreiras que nós mesmos criamos"

    Eu trabalho com acessibilidade a mais de 3 anos aqui em Brasília, nosso público alvo nos sistemas que criamos é um público se resumo em sua maioria a funcionários públicos.

    Ano passado na antiga empresa que trabalhava a empresa estava lutando por uma licitação de elaboração do portal do STJ. Fui convocado para fazer um estudo de usabilidade e determinar a arquitetura de informação do portal. No meio das minhas análises me deparei com um situação muito engraçada a qual me fez mudar todo o meu pensamento a respeito de acessibilidade.

    Um parte do conteúdo do portal deveria ser direcionado para o magistrados do STJ, Juizes. A maioria dos juizes de lá são de idade e avançada e na sua maioria todos tem uma certa dificuldade para leitura. Foi pensando nisso que adaptei todo o layout do portal para que ele pudesse atender a esse requisito não funcional do sistema.

    Muitas pessoas que acham entender de acessibilidade acham que nos sistemas que precisam ser acessiveis basta ter aumento e diminuição de font e alteração de contraste, acessibilidade é algo muito maior do que isso.

    Acessibilidade envolve entender a maneira mais fácil que alguem poderia realizar algo. E ser mais fácil é um parâmetro muito abstrato, pois o que é fácil para alguem que tem visão é uma coisa agora para quem não tem visão ou a tem em um nível menor e outra completamente diferente.

    Sei que meu parâmetro atualmente são duas pessoas, primeiro meu pai de 55 anos, funcionario aposentado do STF que passo a vida inteira trabalhando no mesmo sistema, e que hoje em dia para aprender alguma coisa nova leva muito tempo e muita repetição. E um amigo deficiênte visual que já trabalhou comigo testando um portal no qual tive o prazer de trabalho, www.portaldoinvestidor.gov.br um portal da CVM com dicas de investimento.

    Quando faço sistemas ou sites, os 2 são meus testadores oficiais, o sistema ficando bom para eles não significa que é o sistema mais acessivel do mundo, mas já esta pelo menos na metade do caminho.

    Faltou falar sobre o título que coloquei né?
    Falei que tem 3 anos que trabalho com acessibilidade né?
    Então, são 3 anos tentando consientizar os desenvolvedores do papel que eles tem com a acessibilidade por mais que ela seja CARA, vale a pena.

    Um grande abraço, otimo artigo!!!

    Responder comentário

Poste um comentário


Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores (colunistas e leitores) e podem não expressar necessariamente a opinião do iMasters.

Sobre o autor

Frederick van Amstel é designer de interação, mestrando em Tecnologia pela UTFPR e Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela UFPR. Edita o blog/podcast Usabilidoido, Top 10 do Ibest em 2005.


Indique para um amigo

captcha

TI SHOP Produtos iMasters

  • Lançamento: CD-ROM Treinamento Aplicado de SQL - Lançamento! Treinamento Aplicado de SQL - Aprenda a trabalhar com SQL com bancos de dados Oracle e SQL Server. São mais de 100 tópicos explicados por Mauro Pichilliani, um articulistas mais lidos do iMasters. Aproveite! Apenas R$ 69,90 no TI SHOP.
  • Lançamento: Livro iMasters "O Encontro de 2 Mundos"- Este livro conta com 56 crônicas de profissionais mais admirados e influentes do mercado brasileiro de Internet. Aproveite o preço especial para leitores do iMasters. Apenas R$ 40,00 e envio imediato!
  • DVD Curso Completo de Photoshop - Do conceito à finalização Lançamento! Curso Completo de Photoshop, em DVD, com mais de 230 aulas dividas em 4 módulos: conceito, básico, avançado e finalização. Apenas R$ 69,50 no TI SHOP - Frete com 50% de desconto
  • DVD Javascript Starter - Curso Completo Com mais de 9 horas de vídeo-aulas, é um curso completo sobre Javascript. Ideal para quem deseja aprender a linguagem. Apenas R$ 64,90 no TI SHOP - Frete com 50% de desconto!

2001 - iMasters FFPA Informática Ltda - Todos os direitos reservados.