O Google anunciou um trilhão de endereços únicos na web. Não se sabe se isso é verdade ou se o Google está jogando na retranca contra o atacante Cuil. Mas é um assunto que merece reflexão, principalmente do ponto de vista de conteúdo.
A internet promoveu uma difusão de informação que tornou o conhecimento instantâneo. Com ela saímos da era da escassez para a era da abundância das informações. Qualquer tipo de dado está cada vez mais acessível, pois além da inteligência dos sistemas, nossa comunicação se torna cada vez mais móvel com a utilização da internet também pelos aparelhos de telefone celular.
Ora, Marshall McLuhan, teórico e visionário das comunicações, dizia que o conteúdo de um meio é o usuário desse meio (o conceito é bem mais abrangente, mas precisamos somente dessa parte). Desse modo, o conteúdo da internet é vivo porque a todo instante sobe um novo conteúdo, que o usuário usa, destrói e reconstrói ao seu deleite.
As métricas de tempo de acesso e interesses dos usuários ditam as regras para a produção do conteúdo. Como o usuário lê, quanto tempo lê, como seus olhos percorrem a tela, quais são os assuntos mais procurados - são apenas alguns direcionamentos que guiam os webwriters na tarefa de oferecer mais com menos.
Os reflexos dessa dinâmica do conteúdo estão no Twitter. Mais do que um site de relacionamento, o Twitter demonstra claramente a demanda pelo "instantâneo" e "ágil" na comunicação entre os membros da rede. Com ele aprendemos a ser mais rápidos na comunicação, econômicos nas palavras e ainda podemos filtrar informação relevante: seguimos somente aqueles que achamos que têm alguma coisa interessante pra passar com 140 toques. Todo o conteúdo do Twitter é produzido pela sua comunidade. "O público é tanto o espetáculo quanto a mensagem", diria McLuhan.
E para onde vamos? Fazendo uma analogia tosca, podemos comparar o excesso de conteúdo do "um trilhão" ao malabarista de circo: se ele tem mais bolinhas, tem que permanecer menos tempo com elas nas mãos e ser mais ágil entre uma jogada e outra. A grande sacada será saber lançar as bolinhas de acordo com o peso dos interesses de cada um.
Up the webwriters!
Se quiser saber como esses sintomas espirram no mundo real, leia o texto no blog O Encontro de Dois Mundos

Ana, boa reflexão. Uma das funções do RSS para mim é facilitar a filtragem de conteúdo. Mas ao mesmo tempo penso: RSS, Twitter, não seria "julgar um livro pela capa?"
Responder comentário
Não concordo com o André.
Vivemos num mar de informação, como citado no próprio artigo, que não nos permite ler e acompanhar tudo na íntegra.
Só se não fizermos mais nada além disso.
Ou escolhemos assuntos específicos para nos inteirarmos completamente (ou tentarmos ao menos), ou surfamos na onda da superficialidade.
Acho que essas ferramentas nos ajudam muito nesse sentido.
Claro que há casos em que "o livro é julgado pela capa", mas esse movimento tb faz parte da individualidade na escolha e na relevância do conteúdo.
A meu ver, poucas coisas são mais superficiais do que o BBB, por exemplo. No entanto, é um conteúdo relevante pra muita gente.
Será que eu sou superficial porque sigo a Ana no Twitter e acompanho sua coluna no meu feed?!
Acho que não...

Daqui a alguns dias será "A era do conteúdo filtrado pelo usuário". Utilizo RSS para me manter informado sobre assuntos e tendências, mas o que o usuário está falando sobre o que estou lendo no RSS é mais importante. Por isto eu sempre digo: "Vamos indexar pessoas!".
Responder comentárioOs textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores (colunistas e leitores) e podem não expressar necessariamente a opinião do iMasters.
Ana Amélia Erthal é jornalista e mestre pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro na linha de Novas Tecnologias em Comunicação. Coordenou diversos projetos digitais atuando na área de planejamento e conteúdo como o Portal Mundo Oi, SulAmérica, PUC-RJ, Senac-RJ, HSBC, Bradesco e CBTU. Atualmente ministra cursos para a formação de webwriters, é professora de cibercultura e conteúdo digital, participa das pesquisas do Grupo de Sensorialidades da UERJ e é Executiva de Planejamento da Mídiaweb Agência Interativa.
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