Muitos aguardam na fila para serem os primeiros a ter um iPhone 3G
Além disso, o novo modelo traz 300 horas de bateria em modo stand-by, até dez horas de conversação em modo 2G e até cinco horas de conversação com o 3G contra três da concorrência. Segundo Jobs, a bateria agüenta até sete horas de vídeo e 24 horas de reprodução de áudio.
Nos Estados Unidos, o iPhone 3G de 8 GB é vendido a US$ 199, e o de 16 GB, por US$ 299 - a AT&T comercializa o produto com exclusividade. Já no mercado europeu, as operadoras móveis Vodafone e Optimus vendem o aparelho por preços entre 129,90 euros, para planos pós-pagos de dois anos, e 599,90 euros sem vínculo com as operadoras. O aparelho desbloqueado é vendido por 499,90 e 599,90 euros, nas versões de 8 e 16 gigabytes, respectivamente.A expectativa do mercado é de sucesso estrondoso das vendas do novo aparelho da Apple, e não faltam exemplos para isso.
Clientes da operadora O2, no Reino Unido, puderam, no dia 7 de julho, comprar um iPhone 3G com o início da pré-venda dos aparelhos pela internet. Entretanto, o número de pessoas atraído pela possibilidade foi grande demais, o que fez com que a O2 emitisse um comunicado afirmando que o aparelho estava esgotado online, além de ter retirado o sistema do ar.Filas se formaram em vários locais de venda, como em frente às várias Apple Stores norte-americanas e a Softbank, no Japão, onde mais de mil pessoas aguardaram a chegada do iPhone.
No Brasil, onde ainda não há informações sobre a chegada do aparelho, a operadora Claro já obteve mais de 100 mil cadastros em seu site, no ar desde 9 de junho.A Apple, por sua vez, espera alcançar muito mais consumidores com o iPhone 3G do que com a versão original lançada no ano passado. Em parte, porque a empresa abandonou a política de exigir que as operadoras revertessem a ela uma parte das receitas geradas com as ligações.
Entretanto, o início da comercialização do iPhone 3G foi marcado por falhas e descontentamento de usuários em vários locais.
Poucas horas antes de as vendas oficiais terem início, piratas virtuais anunciaram na véspera do lançamento, 10 de julho, que haviam conseguido desbloquear o sistema do aparelho para funcionar com qualquer chip da tecnologia GSM.A fim de tentar diminuir o desbloqueio ilegal, a Apple anunciou a cobrança de US$ 400 a mais dos consumidores nos Estados Unidos que quisessem comprar um iPhone 3G sem ficar preso a um contrato com a AT&T. Além disso, as lojas que vendiam os aparelhos pediam para o usuário ativar seu número da AT&T no próprio estabelecimento.
Com a grande demanda, os servidores da AT&T não agüentaram o excesso de ativações e falharam em vários momentos. Como resultado, os consumidores foram orientados a ir para casa e tentar a ativação em seus computadores pessoais, de acordo com comunicado da própria operadora.O objetivo era que o usuário fornecesse o número de seu aparelho iPhone 3G e o número do chip da AT&T. Apenas depois da aprovação dos servidores da operadora é que os usuários podiam sair usando o iPhone.
Os que já possuíam uma conta na AT&T com o iPhone antigo e resolveram adquirir o novo modelo precisaram cancelar a conta antiga. Com a falha do 3G, parte desses usuários ficou sem celular no primeiro dia de vendas.O que também prejudicou a ativação do telefone foram falhas nos servidores da iTunes. Os funcionários da empresa não completavam o processo porque não conseguiam conectar-se ao site da iTunes. Isso fez com que vários clientes saíssem das lojas sem aparelhos funcionando, além daqueles que não conseguiram atualizar o sistema operacional para a nova versão 2.0 do seu iPhone antigo, que também parava de funcionar.
Essa não foi a primeira vez que aplicativos de bloqueio causaram danos ao funcionamento do iPhone. Quando a Apple realizou os primeiros updates no celular, a fim de trazer novidades e inutilizar telefones desbloqueados por hackers, alguns usuários com contrato com a AT&T viram seus telefones deixar se funcionar. Na época, o telefone foi apelidado de iBrick.Em Londres, onde o telefone é vendido pela operadora O2, clientes enfrentaram problemas para ativar o aparelho nas lojas devido a uma sobrecarga no sistema de processamento da O2.
O sistema de ativação utilizado pela operadora exige o navegador Internet Explorer, da Microsoft, mas como o iPhone vem com o browser Safari, o sistema não funcionava.Com o objetivo de sanar o problema, a Apple instalou o software de virtualização VMware Fusion em alguns dos computadores Macintosh da loja na Regente Street, para que eles rodassem o Internet Explorer, mas a solução não dava o resultado esperado.
Entretanto, chegou-se à conclusão de que o problema ocorreu com os sistemas de processamento da O2, que não agüentaram a demanda, e não com o navegador.
Além de tudo isso, por mais incrível que possa parecer, no dia do lançamento do iPhone 3G as ações da Apple caíram 2,29%.
A Apple anunciou, para o mesmo dia do lançamento do novo iPhone, o serviço MobileMe, em substituição ao .Mac, que sincroniza contatos, e-mails e calendários de serviços online para iPhone, iPod touch, Macs e PCs e cujo preço varia entre US$ 99 e US$ 149.
Mas a migração de um serviço para o outro também apresentou problemas. Usuários se queixaram de o serviço estar fora do ar ou de não conseguirem realizar sua instalação.No último sábado, 12 de julho, a Apple disponibilizou o primeiro update para o MobileMe, versão 1.1. Os problemas ainda não foram totalmente resolvidos, mas, aos poucos, os recursos começam a funcionar.
O update MobileMe 1.1 está disponível através de Software Update e traz correções gerais de sistema para usuários do serviço no Mac OS X 10.5.4.O lançamento não trouxe apenas problemas. Devido ao fascínio que a Apple e o iPhone exercem sobre as pessoas (senão por que tanta gente ficaria horas numa fila para adquirir um "simples" celular?), os primeiros números são bastante promissores, e o iPhone 3G parece ter tido um bom começo.
De acordo com a empresa de investimentos Piper Jaffray, a Apple vendeu cerca de meio milhão de iPhones no fim de semana de lançamento.A marca foi contabilizada entre as 18h de sexta-feira e o fechamento das vendas no domingo.
Piper Jeffray afirmou que a Apple tinha o aparelho disponível em todas as suas lojas no sábado, mas no domingo, em apenas 84% delas.Segundo uma pesquisa elaborada pela empresa, 90% dos compradores de São Francisco, Nova York e Minneapolis adquiriram o modelo de 8GB. Dentre as 253 pessoas consultadas na avaliação, aproximadamente metade era de novos clientes da AT&T.
A Apple, por sua vez, anunciou ter atingido a marca de um milhão de iPhones 3G vendidos no final de semana. O modelo anterior levou 74 dias para chegar a esse patamar, de acordo com comunicado da empresa.O Brasil está na segunda leva de países para receber o iPhone ainda este ano, segundo a Apple.
Entretanto, aqui no país, o mobile ainda não chegou à Anatel, pré-requisito necessário para a comercialização do aparelho. Além disso, o celular da Apple precisa ser aprovado pela agência.As empresas técnicas, num total de 13, credenciadas pela agência para a aprovação dos novos celulares que entram no mercado nacional, ainda não cadastraram o iPhone em sua lista de equipamentos sob análise.
O processo de estudo e homologação geralmente leva entre 60 e 90 dias. Daí a declaração do presidente da TIM Brasil, Mario Cesar Pereira, que acredita que as vendas do iPhone 3G no país só comecem a partir de outubro.A Claro, primeira empresa a anunciar a venda do iPhone no país, não dá pistas sobre a data do lançamento do aparelho no varejo. A operadora afirma que acompanha a movimentação do mercado, mas não tem informações sobre quando poderá colocar o telefone em suas lojas.
A Vivo também anunciou a comercialização do telefone no país.No final de junho, o iPhone completou um ano de vida. Nesse período, a Apple vendeu seis milhões de exemplares do aparelho. Com o 3G, o banco de investimento norte-americano Morgan Stanley espera que a Apple dobre as vendas do seu mobile em 2009, chegando a 27 milhões de unidades vendidas.
Apesar do sucesso de vendas que o iPhone 2G obteve nos Estados Unidos, o aparelho não alcançou os mesmos resultados na Europa, mercados de telecomunicações que os analistas consideram mais maduros com consumidores mais exigentes. O iPhone 3G tem por objetivo preencher essa lacuna, procurando combinar as funcionalidades multimídia com uma maior velocidade permitida pela rede 3G.Será que essas expectativas serão confirmadas?
Será que a Apple e as operadoras deixaram a desejar no seu planejamento para receber o iPhone 3G ou simplesmente "deram azar" com problemas de software?Será que as redes 3G estão sendo expandidas adequadamente para atender à crescente demanda da nova tecnologia móvel?
Só o tempo dirá. A princípio, fica a mancha do lançamento, marcado por problemas, e não por satisfações.O aparelho tem um apelo muito bom. A nova geração ganhou agora um apelo maior ainda com o 3g. Sobre o GPS, eu tenho um N95, mas é muito raro o uso do GPS. Quando chegar aqui no Brasil pode ser uma boa, vamos esperar os valores. Acredito que vai ser mais um degrau na internet, pois usuários de IPhone acessando os sites podem ser cada vez mais comum. Lembrando que outros aparelhos também irão buscar seu espaço.
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Nathália Torezani é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Foi Chefe de Redação da Revista iMasters e, junto com Tiago Baeta, organizou o livro Internet: o encontro de dois mundos. Atualmente, faz parte da Redação iMasters.
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