Vivemos tempos estranhos, tempos excessivos. A nossa atenção é disputada o tempo todo, nossos dados são o tal novo "intel inside" e nossas preferências, gostos e vidas, em volume, significam aumento no valor das ações de diversas corporações online.
Tudo está muito fácil, muito simples, disponível. Com alguns cliques, você está naquela tal nova comunidade ou badalada rede social, perfis criados à revelia, dados transitando vulgarmente pelas vias da tecnologia, da informação, dos serviços de encontros de amigos, amizades, relações e co-relações, das mais variadas.
Longe de qualquer julgamento ultrapassado de valor, se isso é bom ou não, se é invasão de privacidade ou não, a pergunta talvez seja: o que fazer com tudo isso?
Você pode estar em diversos lugares virtuais ao mesmo tempo, levando o conceito de onipresença a um novo patamar, mas será que, efetivamente, irá tirar algum proveito disso?Será que o uso de suas preciosas informações pessoais (sim, no nosso tempo, informação é tudo) é um preço justo a ser pago por usar os tais serviços gratuitos? O retorno que você tem disso é bom e compensador? Ao mesmo tempo, será correto criar páginas e perfis e depois abandoná-las?
Mais do que nunca, é admirável a quantidade de informação fútil pela rede. Entupindo as bandas de transmissão, ocupando um grande e desnecessário espaço, complicando a indexação do bom conteúdo na internet, lá estão eles: megas de páginas ruins, ultrapassadas, desajeitadas, desnecessárias.
Pra que tanto lixo virtual?
Talvez seja uma consequencia direta da facilidade em se criar conteúdo, em participar e se manifestar. Porém, antes da facilidade em "materializar sua existência virtual", torna-se extremamente necessário ponderar se essa existência será prosseguida de bons e relevantes conteúdos. Ou, sintetizando o conceito, podemos relembrar aquele antipático bordão intelectual: "se o que tens a dizer é menos importante que o próprio silêncio, permaneça calado".Sabemos, por experiência própria que, se num primeiro momento, o desafio era encontrar e criar informação para a tal nova mídia emergente; hoje a missão é conseguir selecionar e escolher o conteúdo bom e relevante.
Aqui está, portanto, o maior desafio: como se desvencilhar das latas de lixo virtual no meio do caminho do bom conteúdo? E, o que é pior: muitas vezes o resíduo eletrônico vem acompanhado de bela e reluzente embalagem, disputando a sua atenção, brigando pela sua audiência, criando um grande e incômodo ruído de comunicação, trazendo a ressaca antecipada e desmotivando a vontade de adquirir conhecimento.
Existe um conceito comum a todas as profissões, conhecido como "curva do aprendizado". De acordo com ele, é necessário ponderar a real necessidade em se aprender algo novo, numa relação de custo-benefício, ligada diretamente a idéia de quanto tempo será necessário para se adquirir um novo conhecimento (ou um conjunto deles) e de que maneira isso poderá valorizar o perfil do profissional.
Levando esse conceito para a internet, a necessidade de um cuidado maior na adminstração do nosso tempo em frente à uma tela online, torna-se importante. Não são raros os casos em que pessoas, cheias de trabalho a realizar, acabam gastando horas, sem perceber, em ruídos reluzentes. Quando se dão conta, entram em desespero, querendo recuperar o tempo perdido.
Tempo perdido.O conceito é claro e evidente: ao sucumbir aos apelos ruidosos que existem poraí, o profissional percebe que deixou a prioridade pra depois, ficando numa situação comprometedora que pode manchar sua reputação.
O entretenimento é importante e faz parte de nossas vidas, não há nenhum mal em se divertir, deixo claro. Porém, o ruído digital pode vir disfarçado de conteúdo importante e relevante, sem qualidade para justificar tal condição e mérito. Tal idéia pode ser representada como o "ouro de tolo".
Nos tempos maravilhosamente diferentes e estranhos em que vivemos, a maior e mais importante habilidade a ser desenvolvida, talvez seja o critério e a escolha. Resistindo aos apelos "convincentes" do tal lixo virtual, conseguimos aproveitar nosso tempo de maneira mais efetiva, livrando-nos do mal moderno da mediocridade e falta de essência.
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