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Quinta-feira, 08/05/2008 - 14:50 - Por Luli Radfahrer
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Design para CSSers - Tipografia, parte 02

O nome vem do grego - quer dizer, não muito. É uma espécie de Josicleusa, já que mistura o Type inglês com o graphos (escrita, escrever) do Latim. Literalmente, "escrita com tipos". Por mais que designers sejam apaixonados por ela, a ponto de provocar reações entusiasmadas (e exageradas) ela não é uma ciência. Mesmo que o fosse, provavelmente teria que escolher outro nome, já que tipologia é o estudo de um tipo de alguma coisa, confesso que não sei muito bem o que é.

Topologia, por sua vez, é o estudo de estados de continuidade matemática, uma ciência de compreensão facílima, como pode-se facilmente compreender por sua página na Wikipédia. Por último, topografia é o que engenheiros fazem com aquele treco que fica em cima de um tripé mas que não é uma câmera. Tem a ver com mapas, essas coisas. Confesso que morro de curiosidade em saber o que eles tanto olham ali.

Futura SaddamFutura Saddam

Claros os termos, não há muita confusão a se fazer. Ou quase. Em 1992, vocês não eram nascidos, a Associação dos Diretores de Arte de Nova York publicou uma série de anúncios polêmicos, que abriam com a página acima e seguiam com algo como "ele seria arrogante (trocadilho com Bold), ele seria irritante, ele estaria em todos os lugares. NYADC contra Futura Condensed Extra Bold". Tenha dó. E você achava que só os programadores Linux eram nerds, hem? Pois veja Helvetica e mude completamente de opinião. Eu vi. No cinema. E só morri de rir porque estava sozinho, senão morreria é de vergonha. É por coisas como essas que não uso Arial de jeito nenhum.

Objeto de fetiche tiponerd.Não dou, não vendo, não troco.Objeto de fetiche tiponerd.Não dou, não vendo, não troco.

Tipografia, em resumo, não é só para designers. É para todos. Ela é muito importante porque, apesar de significarem palavras e traduzirem idéias, letras são desenhos. Desenhos universalmente reconhecidos que são aceitos subliminarmente e dão a personalidade do ambiente gráfico visitado. É exatamente porque não reparamos nela que ela é tão poderosa. Um texto em Times New Roman é percebido como mais tradicional que o mesmo texto composto em Verdana.

Glifo não é grifo não é Griffo

Um termo lembrado pelo Gustavo Lassala no post anterior foi Glifo. Tem gente que acha que esse é o nome daquela "bolinha" que fica atrás das listas de tópicos no PowerPoint. Não estão errados, mas é mais do que isso. Glifo, como caractere, é qualquer forma que compõe um alfabeto.

* <- Isto não é um Glifo (obrigado, Magritte). Ou é. Na verdade, qualquer caractere é um Glifo.

Glifo é uma palavra bem parecida com Grifo, e esse é outro termo que causa confusão. Para alguns, grifo é o mesmo que sublinhado. Outros acham que é sinônimo de itálico. Ambos estão certos. Como também está certo quem acha que Grifo é um animal mitológico que bota ovos de ouro.

Hippogriff

Se não me engano, o personagem do meio é mestiço de Grifo com cavalo.Se não me engano, o personagem do meio é mestiço de Grifo com cavalo.

A origem toda vem de Francesco Griffo, um dos primeiros tipógrafos. Foi ele quem criou, junto com Aldo Manunzio, os primeiros caracteres itálicos. A idéia que eles tiveram foi avançada demais para a época: eles queriam fazer uma letra manuscrita que imitasse a caligrafia Chancelaresca do Papa. Ela se chamaria Itálico e deveria ser usada em documentos oficiais. O problema é que a letra de Sua Santidade era pequena demais, e tanto a tinta, quanto o papel e o metal usado para fazer tipos eram todos meio toscos, e por pouco os dois tipógrafos não viraram piada.

Com o tempo, a letra de Manunzio e Griffo acabou por se tornar um estilo. Seu uso eu comentei neste post antigo, resposta nº 10. O termo "itálico" virou coisa de tipógrafo, já que os italianos o chamavam, naturalmente, de Griffo. Ao traduzi-lo para outras línguas, virou "grifo". Séculos mais tarde, as máquinas de datilografia não eram capazes de reproduzi-lo, por isso passaram a sublinhar os textos que demandassem ênfase. Agora você pode animar festinhas com essas curiosidades históricas.

O que é importante destacar é que itálico não é sinônimo de inclinado. Ou pelo menos não deveria ser. A inclinação deve-se ao fato de, quando manuscrita, a letra é naturalmente inclinada. Algumas famílias tipográficas, como a Times e a Georgia, têm itálico "verdadeiro". Quando escrito neste estilo, a letra assume um formato completamente diferente. Outras não o têm, e só inclinam a letra que estaria neste estilo. Nesse caso, costumam ser chamada de oblique, para não dar confusão.

Como você pode reparar nas letras "g", "i" e "a", os caracteres são completamente redesenhados em Georgia itálico e simplesmente inclinados em Helvetica oblique. Antes que você pergunte: não, não existe "Georgia Oblique" nem "Helvetica Italic".

No próximo post falo sobre xis e emes.

Todos os artigos de Luli Radfahrer

3 comentários publicados

  • 1. Massa!

    Quinta-feira, 08/05/2008, por Thiago Lima

    Pô cara! Gostei muito desse post. E do jeito divertido que você fez o artigo. abraços!

    Responder comentário
  • 2. Oque o cara fica olhando... rs

    Terça-feira, 13/05/2008, por Alexandre Manuel

    Também a título de curiosidade...rs
    Luli, o que os caras ficam olhando naquele 'instrumento' é uma 'vereta' que um outro cara fica segurando lá na casa do chapéu e que tem marcas de alturas. Como o 'breguete' que o cara fica olhando tem marcas de ângulos é possível, usando calculos trigonometricos, calcular a distância "do breguete até a vareta". Mais fácil que usar uma fita métrica enorme...rs
    Desconsidere os 'termos técnicos' que usei :-), mas o aparelho é chamado teodolito.
    A propósito, parabéns pelos artigos.
    Valew.

    Responder comentário
  • 3. Fantástico

    Sexta-feira, 13/06/2008, por Dyego Fernandes de Sousa

    Luli, sou desenvolvedor e não designer, mas sou fascinado por história e seus artigos são simplesmente ótimos (à vista de um leigo). Parabéns.

    Responder comentário

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Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores (colunistas e leitores) e podem não expressar necessariamente a opinião do iMasters.

Sobre o autor

Luli Radfahrer é PhD em Comunicação Digital, tendo dirigido a divisão de internet de algumas das maiores agências de publicidade, bem como dos maiores portais do país. Professor-Doutor da Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e Diretor Associado do Museu de Arte Contemporrânea do Rio de Janeiro.


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