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Segunda-feira, 21/01/2008 - 20:20 - Por Gilberto Mendes
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Polêmica: Desenvolvimento em Access

Decidi falar sobre este tema em meu primeiro artigo para o iMasters, tratando deste assunto um tanto polêmico: o Access, afinal, é ou não é uma ferramenta de desenvolvimento profissional?

Assim, este artigo não é exatamente técnico. É um compartilhar da minha opinião e experiência, em especial para as pessoas que trabalham com Access ou que pensam em se aprofundar nesta ferramenta.

Quando menciono o desenvolvimento em Access, vejo muitos gerentes de TI respirando fundo, programadores revirando os olhos e alguns usuários respirando aliviados. Há ainda um certo preconceito contra as aplicações em Access, que têm até algum fundo de verdade. Mas como profissional que se dedica 100% à ferramenta, posso dizer com tranquilidade que é possível desenvolver em Access e viver bem assim (uma boa remuneração e uma consciência tranqüila).

As vantagens do Access

Listo abaixo as principais vantagens do Access. Alguns itens são velhos conhecidos, outros podem proporcionar alguns insights interessantes.

  1. O desenvolvimento é muito, mas muito mais rápido que em qualquer outra linguagem de programação.
  2. A construção das aplicações exige muito menos linhas de código, portanto é mais simples de se dar manutenção.
  3. É uma ferramenta flexivel, com boa performance em rede.
  4. Possibilita a criação de interfaces ricas e agradáveis, que oferecem ganhos de produtividade aos usuários finais.
  5. Possui, de longe, o melhor gerador de relatórios que existe.
  6. Proporciona um excepcional retorno sobre o invertimento (ROI) e um baixo risco.
  7. Integração com os outros aplicativos do pacote Office
  8. Pode se conectar com diversos bancos de dados
  9. Pode ser usado offline
  10. É excelente para entrada de dados

Agora, como toda ferramenta, o Access tem as suas limitações, que listo e comento:

  1. Não é feito para web, embora possa se conectar a um servidor SQL remoto.
  2. Nivel de segurança e integridade inferior ao dos servidores de bancos de dados
  3. Escalabilidade limitada: o limite de uma base Access é de 2 Gb (mas pode conectar-se ao SQL server)
  4. Exige instalação do Access ou da versão Runtime (versão que permite o uso da aplicação sem a necessidade de licença) o que torna a implantação mais complexa que uma aplicação web.

O melhor naquilo que faz

A partir destas características, é possivel saber onde o Access se encaixa ou não: para aplicações individuais, grupos de trabalho e pequenas ou médias empresas o Access é uma excelente opção. Por outro lado, eu não abriria uma conta em um banco que usasse o Access para controlar as contas de seus clientes.

Agora, para ter uma noção mais clara, veja algumas situações onde o Access se sai excepcionalmente bem:
Aplicações de informações gerenciais e de inteligência

Embora os desenvolvedores dos grandes sistemas ERP tenham o discurso de controle total da informação (gastando muitos milhares de dólares em propaganda para isto) a maioria deixa muito a desejar em termos de relatórios e análises gerenciais. O que ocorre nas empresas é o download de arquivos texto seguido de um trabalho complementar em Excel. Em um cenário como este o Access pode ler os arquivos TXT ou os dados da base ERP e apresentar resultados consistentes de maneira mais flexível e automatizada. Só o tempo liberado dos profissionais já justifica o investimento em uma aplicação deste tipo.

Controles departamentais específicos

Vários departamentos têm necessidades de desenvolvimento específicas, que não possuem sistemas prontos no mercado ou que não justificam a compra de um elefante branco. Por exemplo, a área de garantia de uma metalurgica pode ter uma aplicação para registrar os laudos ao invés de utilizar diversas planilhas. Além de otimizar o trabalho, um sistema pode proporcionar relatórios e estatisticas que não existiriam em outra situação.

Pequenas empresas

A menos que exista um sistema bem feito para o segmento (e hoje há sistemas para quase tudo) e que atenda as necessidades da pequena empresa, o Access pode ser uma porta de entrada para a informatização, com a criação de controles de vendas, clientes ou estoque de maneira absolutamente personalizada com um custo competitivo.

Uma questão de evolução

A meu ver, o ponto central desta discussão é este: o Access ocupa um espaço em uma "cadeia alimentar" de automação, onde temos o Excel na base como a grande massa de dados, em seguida o Access com informações estruturadas e um bom nivel de automação. Em seguida, escalando a pirâmide, temos aplicações mais formais em VB, ASP (ou PHP ou Delphi) e por último os grandes sistemas de gestão.

Se observarmos, os três exemplos que apresentei como cenários de uso do Access são situações onde a principal tarefa é substituir o Excel. Às vezes para ser substituído por uma ferramenta do nível seguinte depois de um tempo.

O diagrama abaixo permite observar as necessidade e características dos sistemas em cada nível:

E porque tem gente não pode ouvir falar em Access?

Em alguns departamentos de TI, há uma grande resistência ao uso do Access. Enquanto sempre houve uma relação de amor e odio entre os usuários (e suas necessidades às vezes estranhas) e a equipe de informática, quanto o assunto é Access, muitos gerentes de TI desejam simplesmente proibir totalmente seu uso na empresa.

Como disse, tudo tem seu motivo, e vejo três grandes razões para esta situação:

  1. Muitos bancos de dados são criados pelos usuários sem orientação e acompanhamento que são planejados de maneira muto pobre e não podem passar por manutenção sem o empenho de recursos de tempo significativos.
  2. Bancos de dados (geralmente os mesmos da situação anterior) são empurrados para a área de TI que se vê obrigada a dar suporte a eles.
  3. Histórias de lentidão e corrupção de dados, de um tempo em que as redes eram pouco confiáveis, os computadores eram lentos e o Access não tinha os mecanismos de estabilidade e performance que possui hoje.

É um fato que estas situações ocorrem e que os departamentos de TI são colocados em becos sem saída. Portanto é compreensível que o Access seja tão desprezado. Entretanto, acredito que seja mais uma questão de orientação aos usuários e posicionamento do departamento. Excluir o Access é como eliminar um elo da cadeia alimentar: por um lado as planilhas se proliferam e se tornam aplicações em um emaranhado de vinculos e macros (causando um custo de ineficiencia para a empresa) e por outro, sem os aplicativos Access para servir de protótipos e experiência, aumentam-se os custos de análise e programação para dar o salto do Excel para uma aplicação formal.

O profissional é você

O ponto fundamental do desenvolvimento profissional em Access não está na ferramenta, entretanto, mas na pessoa que desenvolve. Um programador que comete alguns dos pecados capitais de programação, como criar a sua aplicação na base do assistente ou usando só tons de cinza, que sai desenvolvendo sem planejar ou que ainda tem aquele pensamento retrógrado que os usuários são inferiores, não tem como desenvolver profissionalmente em Access, ou em qualquer ferramenta.

Para desenvolver profissionalmente é preciso ser um bom profissional. Encarar este trabalho como arte e ciência, estudando e pesquisando continuamente, sem se acomodar em uma zona de conforto. É preciso conhecer e se aperfeiçoar outras técnicas e tecnologias, e em elementos relacionados indiretamente, como design (já o visual e a praticidade de uma aplicação é responsável por 50% da percepção de qualidade pelo cliente), a compreensão do negócio do cliente, conhecimento sobre processos de trabalho e qualidade.

Programar profissionalmente é um caminho longo, mas não necessariamente dificil. Pelo contrário, cada passo é um objetivo em si: tudo que vamos aprendendo passa a ser usado durante toda a nossa carreira, seja com o Access, seja com outra ferramenta de desenvolvimento. Na verdade o aprendizado é o único bem que nos acompanha e que não é alvo de impostos.

Obrigado pela leitura, boa sorte em sua jornada e até a próxima!

Todos os artigos de Gilberto Mendes

7 comentários publicados

  • 1. Dúvidas

    Terça-feira, 22/01/2008, por André Psycho

    Você me parece convicto do que escreveu, claro se não não escreviria.
    Problemas com chaves primárias duplicadas é só o que há de mais básico a se falar do access.
    Imaginamos o seguinte, uma empresa pequena, com 4 áreas básicas que qualquer empresa teria, contabilidade, RH, administração e qualquer uma outra.
    E que em cada área tivesse uma base de dados própria, com dados próprios feitos em access, fabuloso access!!!
    Junta tudo pra mim e crie somente uma base de dados agora!!!!!!
    Em qual se basear como fonte segura????
    Ah e se meu servidor for linux ainda por cima????

    Access é um banco de dados doméstico para você brincar em casa... amador!
    Diversas ferramentas simples o substitui e não deixa nada a desejar!

    abraço!

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  • 2. Considero Válida

    Terça-feira, 22/01/2008, por Bruno Silva da Costa

    Bem, considero extramamente válida o artigo acima. Se reparaemos em nenhum momento o auto fugiu da questão de "não usar" o Access.
    Acho que opniões assim deveriam aparecer também para outras "tecnologias".

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  • 3. Resposta para André Psycho

    Terça-feira, 22/01/2008, por Gilberto Mendes

    Caro André, obrigado pela provocação.

    É possível que você seja um dos que não pode ouvir falar em Access, que mencionei, que acha que o Bill Gates é o anticristo e que seria melhor informatizar a tal pequena empresa com linux, PHP e MySQL. Tudo bem, tem espaço pra todos no mundo (e em tempo: linux, PHP e MySQL são ferramentas excelentes).

    Acho que vale a pena conversar sobre isto. Como você leu no artigo, menciono que o Access não oferece um nível de segurança e integridade de um servidor de banco de dados. Um primeiro ponto em que concordamos. Então, não recomendaria o Access para armazenar informações críticas e financeiras.

    Também disse que aplicações em nivel de empresa, aplicações ERP não são a praia do Access. Então, eu também não recomendaria criar aplicações imensas com Access como ferramenta.

    Mas discordo completamente de você quando considera o Access uma aplicação doméstica. O Access tem seu lugar, algo que uma visão purista, unicamente tecnológica não consiga enxergar.

    Caso real: Uma integradora de sitemas automotivos, empresa que fatura 300 milhões de dólares por ano no Brasil. Usa SAP para as atividades contábeis, financeiras, controle da fábrica, etc... como tem de ser. Usa Access para a gestão da qualidade. Ao invés de gastar uma fortuna em programação ABAP, em um ambiente burocrático e de pouca flexibilidade, utiliza Access para gestão de não conformidades, avaliação de fornecedores, controle de manutenção das máquinas, garantia, PAPP. Iniciativas que apresentadas na matriz da Alemanha foram premiadas como melhores práticas.

    Estou certo de que muita gente pode atestar isto e citar outros exemplos. Pensar no atendimento ao cliente, no retorno do investimento e na flexibilidade do Access justifica seu uso em muitas situações.

    Um abraço!

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  • 4. Access

    Terça-feira, 22/01/2008, por Allan John Neros

    Em primeiro lugar, agradeço por alguém ter se lembrado de Access. Esta seção andava um pouco esquecida aqui no site.

    Em segundo lugar, discordo do primeiro comentário. E explico por partes:
    1) Para quê se usa chaves primárias? No Access, a chave primária serve para identificar os registros de forma única. Portanto, não é possível duplicar um valor se o campo for chave primária.

    2) Sobre várias aplicações na empresa, isso é bem simples, e quem conhece a ferramenta não só consegue fazer a aplicação funcionar, como também a simplifica e a corrige. E sim, o Access é seguro em rede, desde que o desenvolvedor coloque as devidas restrições e permissões de acesso (para quê serve o Workgrouop?).

    3) Sobre rodar em linux, o MDB pode ser lido, e pode ser trabalhado sim. Basta procurar por MDBTools e GMDB2, por exemplo.

    O Access possui suas limitações, e elas são esclarecidas no artigo. Mas TODA linguagem de programação possui limitações. E também discordo que a ferramenta é "doméstica". Se fosse, não chegaria na versão 2007.

    Resumindo, o Access é uma ferramenta tão boa como qualquer outra, basta que o desenvolvedor tenha conhecimento para aproveitar todos os recursos que ele oferece.

    Responder comentário
  • 5. Eder

    Sábado, 09/02/2008, por Eder Batista

    Parabens pelo artigo Gilberto Mendes muito esclarecedor e dem direto, desenvolvo em access a mais de 10 anos, desde a versão 95, tenho sistemas espalhado por todo o estado, desde pequenas locadoras de DVD, mercados, oficinas,a empresas de cobranças, sendo uma delas responsavel pela arrecadação municipal, e desde o menor cliente ao maior todos estão satisfeitos com as soluções oferecidas, tanto pela simplicidade de manejo quanto ao custo das aplicações e manutenções, o access é uma excelente ferramanta de programção, como foi dito tem suas limitações sim (apontem uma que não tenha) mas se o programador for bom saberá contornalas de mareira pratica e eficiente.

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  • 6. Access é realmente uma excelente ferramenta

    Domingo, 03/08/2008, por Alessandro Gonçalves

    Gilberto, concordo plenamento com o que disse, com conhecimento de causa. Já vi funcionando com sucesso sistemas até relativamente grandes em Access.
    Dependendo das características da aplicação, ele é excepcional. É preciso tomar cuidado com número excessivo de acessos concorrentes e nesse caso é recomendado que a base de dados seja outra, mas vejam bem, quando se fala em Access falamos de duas coisas. Uma é a base de dados e a outra é a aplicação para o front-end. O que tanto criticam é a base de dados, então em determinadas situações basta usar SQL Server (ou outra) e o Access como front-end.
    O problema que o André colocou não na a ver com o Access. Tem a ver com falta de estruturação, de planejamento. Se forem 4 área com 4 sistemas em Oracle mal planejados e de repente alguém pedir para juntar tudo numa só, em qual se basear como fonte segura?
    Problem citado de duplicação de chave primária, em milhares e milhares de registros, com sistema com cento e poucas tabelas, utilizando MDB, nunca vi. Sinceramente, estruture bem a sua base e tudo correrá bem.
    Como o Gilberto disse, é uma ferramenta excepcional para substituir controles em Excel. Não há comparação. Ter a informação estruturada, com grande rapidez no desenvolvimento de aplicações e com um gerador de relatórios de ótimo nível não se compara a ter controles em Excel. Pior é ouvir que o uso do Access para controlar uma empresa não é aconselhável, mas Excel é!?! Excel, Access, PHP, C#, Ruby, cada um tem o seu lugar e todos são ótimos no que se propõem.
    Estude cada ferramenta e tome as decisões certas, afinal o que realmente importa é o resultado para o negócio, e isso é que deve ser considerado.

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  • 7. Access pode sim ser uma excelente ferramenta

    Terça-feira, 27/01/2009, por Péricles Teixeira Damasceno

    Gilberto, parabéns pelo artigo. Não posso entrar em detalhes mas gostaria somente de enfatizar que o Access pode sim ser uma ferramenta importante em grandes coorporações.
    Atualmente desempenho algumas atividades no Banco Central do Brasil e tenho visto excelentes aplicações do Access para motinoramento de operações do Mercado Financeiro Nacional. Podemos observar dessa forma que dependendo de como o Access seja utilizado, o retorno do investimento pode ser significativo. Access decididamente não se trata apenas de uma ferramenta amadora. A diferença entre um músico amador de um profissional não é o instrumento e sim a experiência e criatividade do músico. Com o Access é a mesma coisa !

    Responder comentário

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Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores (colunistas e leitores) e podem não expressar necessariamente a opinião do iMasters.

Sobre o autor

Gilberto Mendes é MBA em marketing pela MMS – Madia Marketing School, formado pela Franchise University do Grupo Cherto e diretor de negócios da Ideológica. Atua no mercado de tecnologia há mais de 15 anos, sendo irremediavelmente apaixonado pelo Microsoft Access.


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