Sexta-feira, 09 de novembro de 2007 às 08h40

Qual a função do design?

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Design está na moda. Usam essa palavra para se referir a uma porção de coisas, e que nem sempre tem de fato relação com Design. Essa palavra chama a atenção em capas de revista, temas de palestras, cursos e campanhas publicitárias. As várias interpretações e o pouco esclarecimento sobre a real função do Design geram uma grande confusão e pouca eficácia no processo de criação para Web, assim como em outras áreas.

Qual a função do design?Qual a função do design?

"Tio, o que é Design?"

Design refere-se ao projeto visual e funcional de um produto (em nosso caso um Web Site), a adaptação de um produto a necessidade dos seus usuários, cativando o seu uso através da estética, aplicando-se conceitos e usabilidade a sua forma. Porém não é difícil encontrar profissionais, empresas, cursos, matérias de revistas e conversas de botequim, associando o Design à produção de imagens, ou resumindo-o na manipulação de um Software específico.

Os Softwares são apenas ferramentas, e não garantem a qualidade do projeto. Nenhum software deve ser encarado como uma solução pronta. Existem diversos Softwares diferentes e com funções similares, e a escolha sobre qual utilizar deve ser de cada um. A definição do que é Design vai muito além do Photoshop.

O Design é uma área projetual. Sua função é responsável por gerar desempenho, qualidade, durabilidade e aparência a um produto. Cada trabalho a ser realizado exige planejamento, pesquisa, criatividade e técnica. Ao contrário do que muitos pensam, a função do Design não está vinculada pura e simplesmente a produção de imagens.

"A função do Design, além da estética, é tornar um produto funcional. É transformar Informação em Comunicação!"

Na produção de um Web Site (assim como em outros produtos) deve-se elaborar um projeto coerente, que forneça soluções eficientes e eficazes em usabilidade, desempenho e comunicação, focadas nas necessidades do Público Alvo. Não é um trabalho apenas criativo, mas também de planejamenthttp://meu.imasters.com.br/autor/publicacao/

Voltar ao indice de artigoso e de pesquisa. Produzir um Web Site inevitavelmente exige "Pensar".

Portanto, além da manipulação de Softwares, existem alguns métodos de planejamento e pesquisa que se deve conhecer, além de conhecimentos conceituais sobre como trabalhar a Pregnância da Forma.

"Tio, por onde começar o Projeto?"

"Briefing é um documento onde são colocadas as informações e dados necessários para a criação de qualquer projeto, como objetivos, propósitos, informações sobre o cliente, o produto a ser divulgado, o público alvo, prioridade das informações, imagem a ser transmitida, motivações, etc."

Inicialmente, devem ser coletadas e organizadas as Informações para o projeto. Utilizar elementos dentro de qualquer peça gráfica sem um estudo do caso é um equívoco que compromete a comunicação e a funcionalidade. Há que se levar em consideração diversos fatores tais como: o objetivo do projeto, o produto a ser divulgado, o público alvo (sexo, idade, cultura, classe social, etc), Identidade Visual, Motivações, etc. Para realizar tal estudo do caso, nada melhor do que ter em mãos um Briefing bem elaborado. O ideal para a elaboração desse documento é reunir-se com o cliente, tirando suas dúvidas, esclarecendo detalhes e orientando-o sobre conceitos e tecnologias. Quando esse processo de elaboração não é possível de se realizar com o cliente, pode-se enviar a ele um documento com perguntas a serem respondidas, o que nem sempre é satisfatório. É possível encontrar vários modelos e exemplos de Briefing na Web, dando uma noção de como esse documento deve ser feito. No entanto o ideal é não seguir um modelo, e sim elaborá-lo sempre de acordo com a necessidade do projeto.

Após a análise do Briefing e com as devidas pesquisas feitas, o próximo passo é a Arquitetura da Informação. Como organizar a estrutura da interface e a distribuição das informações em categorias, além de priorizar a comunicação de informações mais relevantes. O documento apropriado para especificar a ordem e o posicionamento dos elementos que vão compor a página é o Wireframe. Através de uma forma esquemática, ele representa a distribuição e a hierarquia das informações a serem comunicadas. A partir dos posicionamentos do Wireframe é que se constrói o Layout.

"Cada elemento do Layout deve ter uma função"

LayoutLayout

Uma vez que uma das funções do Design é transformar Informação em Comunicação, nenhum elemento dentro do Layout deve estar lá sem comunicar algo. Elementos desnecessários podem confundir, poluir e dificultar o acesso e o entendimento das informações. Para um bom trabalho, é necessário fazer um estudo de conceitos visuais e de comunicação. Deve-se ter consciência do porque usar determinadas Cores, Fontes e Formas, e qual imagem e sensações esses elementos estão passando para o usuário.

Combinações cromáticasAs Cores têm poder de comunicação bem maior do que se imagina. É importante saber trabalhar com a Psicodinâmica das Cores, para que elas transmitam a imagem e as sensações orientadas no Briefing. Cada cor transmite informações, sensações e emoções diferentes. Uma boa introdução neste assunto é encontrada no site Color in Motion, que por meio de uma animação, dá exemplos de sensações e emoções que cada cor pode representar.

Para elaborar a Paleta de Cores de um site, é importante saber como trabalhar as Combinações Cromáticas. Por mais que se saiba que cores transmitem as sensações desejadas, é essencial saber como combina-las. Nesta tarefa é essencial ter em mãos um Círculo Cromático.

Uma ótima ferramenta que pode nos auxiliar na elaboração de uma Paleta de Cores é encontrada no endereço http://kuler.adobe.com.

"Toda idéia a ser transmitida é traduzida através de letras"

TipografiaTipografia

Outro fato que se deve ter em mente é que toda idéia a ser transmitida é traduzida através de letras. Sendo assim, é importante ter um bom conhecimento de como trabalhar com a Tipografia. Para comunicar uma idéia deve-se trabalhar com fontes que priorizem a legibilidade e que tenham relação com o contexto do projeto. Deve-se saber, por exemplo, que fontes com Serifas não são indicadas para inclusão de textos na Web, pois a baixa resolução dos monitores faz com que as Serifas se sobreponham e dificultam a leitura. Porém, em títulos elas podem ter um bom resultado decorativo. Fontes sem Serifa conseguem ter uma maior legibilidade no monitor, principalmente se trabalhadas com um bom entrelinhamento. Existem diversas famílias tipográficas, cada qual com uma aplicação especifica, de acordo com o contexto. Saber escolher bem as fontes a serem usadas é um ponto importante na comunicação.

Gestalt

Outro fator que auxiliará na Pregnância da forma é a aplicação das leis da Gestalt em nosso projeto. Segundo a Wikipédia, Gestalt é um termo intraduzível do alemão, utilizado para abarcar a teoria da percepção visual baseada na psicologia da forma. Aprendendo a analisar as manifestações visuais e objetos ao redor, compreende-se melhor o porquê algumas formas agradam e outras não, podendo assim trabalhar esses fatores em nossos projetos. O estudo da Gestalt compreende a "integração das partes em oposição à soma do todo: estrutura, figura e forma". Leis da Gestalt, como Unificação e Segregação, Fechamento, Boa continuidade, Proximidade e Semelhança, ajudam a orientar o processo de criação e obter resultados satisfatórios. Uma boa referência de Estudo sobre o assunto é o livro "Gestalt do Objeto: Leitura Visual da Forma", do professor João Gomes Filho.

GestaltGestalt

Os processos e conceitos necessários para se tornar um Designer não se encerram aqui. Outros conhecimentos, como Semiótica, Antropologia, Arte, técnicas de composição, além da busca de boas influências, são essenciais na formação de um profissional. Porém, a partir daqui pode-se ter uma compreensão mais clara do que é Design, além de uma direção para iniciar os estudos.

13 comentários

 Evaldo Bahr
09/11/2007 09h11

Excelente

Ontem mesmo comentei que muitos designers deveriam se chamar desenhistas... rs... essa matéria veio confirmar isso.
Pra se considerar designer deve-se primeiro estudar bem o assunto.
Parabéns pela matéria

 Annelisa Machado
09/11/2007 11h04

Excelente!

Sem comentários para este artigo! Muito muito bom! Parabéns!

 Marcos Paes de Barros
12/11/2007 10h35

Design?

Uma análise afim de rotular o design como profissão é muito complexa e sempre passível de críticas. É raro encontrar no Brasil designers que escrevam sobre o design, sendo assim, a utilização do termo tem sido banalizada, a exemplo do designer de sobrancelhas ou o designer de bolos...
Entretanto, o termo é de origem inglesa e está ligado a evolução obtida por meio pós revolução industrial. Parte da necessidade de produzir em série sem a necessidade do "toque humano" em seu acabamento, apesar de no início ser comum a produção de objetos hibridos. Gillo Dorfles, um dos grandes nomes do designer, defende que o design se qualifica por essa serialização e projeto, diferenciando-o do artesanato. Mas esse projeto pode ser dividido em duas vertentes, uma abstrata e outra concreta, ou seja, há o planejamento e a planificação dessas idéias que dão origem ao produto. Alguns até defendem que o desenho tem essas propriedades, porém o termo abrasileirado corresponde ao que conhecemos hoje como DESENHO INDUSTRIAL. Ao longo dos anos, muito foi acrescentado aos conceitos que compreende ao designer como a racionalização e padronização, porém ainda existe esse "vazio" quando falamos de design.
dicas de leitura: A introdução ao desenho industrial de Gillo Dorfles, O que é (e o que nunca foi) Design de André Villas-Boas e O que é design de Wilton Azevedo.
Boa sorte e parabéns pelo artigo!

 Marcos Paes de Barros
12/11/2007 11h27

Retificação do título

Talvez um título mais interessante para o artigo seria: " Como funciona o web design" levando em consideração que temas como arquitetura da informação são descabidos para falar sobre a aplicação do designer no mercado

 Bruno Gomes
16/11/2007 17h35

Design

É isso ae Marcos Paes de Barros, VI QUE O SR. APRENDEU MUITO COM A RELEITURA DOS TEXTOS DO GILLO DORFLES E ANDRÉ VILLAS BOAS, AGORA SE FOR POSSÍVEL DEVOLVA-ME, VALEU, ABRAÇO A TODOS.....
PARABÉNS PELA MATÉRIA EDUARDO SANTOS

 Marcos Paes de Barros
16/11/2007 20h25

EEEEE Ceará!

Pó Ceará, tu é burro heim! os textos que tu me deu de presente eram de semiótica! Forte abraço fofo!

 Bruno Gomes
16/11/2007 22h43

E AEEE TELETUBIE

Valeu pela lembrança, além de surrupiar os textos do André Villas Boas e do Gillo Dorfles, você levou os de Semiótica também...paga uma Glacial que "perdôo" essa dívida safado...
grande abraço coração

 Alexandre Marcel Alves Ribeiro
18/11/2007 13h27

A Arquitetura da informação e o designer

Marcos,
Não vejo razão para que o tema arquitetura da infomação seja descabido quando o assunto é design para a web. Afinal, é de ampla aceitação entre os profissionais desta que o design é parte da tríade que a forma: tecnologia, design e redação.

Assim como um designer de produto transforma as informações captadas em pesquisas de perfil do consumidor, une-as com as informações sobre ergonomia, psicologia da cor e da forma, além de outros conhecimentos, e transformar todas estas informações em produto, por que este não poderia ser o vetor, na web, da transformação da informação em conhecimentos?

Até mesmo o designer de produto pode transformar a informação em conhecimento, quando criar um novo uso para um produto já existente, ou um produto inédito, já que o usuário terá de aprender a utilizar o novo produto para tirar proveito de suas vantagens.
No momento em que o designer tem conhecimento de todas as etapas do desenvolvimento do web site, e cuida não somente da estética, que é parte do processo, e não o principal, que é o uso (ou seja, a usabilidade), ele alcança o patamar dos profissionais de primeiro nível.

Afinal, desde as primeiras escolas de design, como Bauhaus, o USO do produto criado pelo designer sempre foi o elemento principal. Afinal, se você não tem como objetivo que este funcione para que o está fazendo??? Bauhaus, infelizmente, é muito criticada, especialmente por esta razão.

Mas infelizmente, dizendo que seus fundamentos levaram ao afastamento do design da humanização. Se estes dizem %u201Chumanização%u201D no sentido do produto ter a %u201Cimpressão do artista%u201D como uma obra de arte, podem até estar certos, mas um dos fundamentos da escola era justamente a humanização, mas no sentido de criar produtos que
1- alcançassem as massas, já que até o início do século XX grande parte da produção, artesanal ou industrial, era acessível quase que somente à camada mais rica da população e
2- fossem ergonômicos, ou seja, fáceis de usar e que não causassem mais lesões por causa de seu uso, coisa comum aos produtos da época (%u201Cfáceis de usar%u201D não lembra uma das qualidades atribuídas aos sites que aplicam os princípios de %u201Cusabilidade%u201D?)
Infelizmente, parece que os atuais %u201Chumanizadores%u201D do design estão mais preocupados, sim, em apenas %u201Ccapitalizar%u201D e %u201Celitizar%u201D o design, fazendo com que, por ter sua %u201Cassinatura%u201D em determinado projeto, este valha mais do que pesa...

Não parece um retrocesso, aos tempos que artistas e artesãos produziam em pequena escala, apenas para a elite que possuía os meios de adquirir seus trabalhos? Não tenho nada contra a arte ou contra o artesanato, ou contra a fusão destes com o design, mas querer transformar o design em outra coisa, já não concordo.

 Marcos Paes de Barros
19/11/2007 16h30

Arquitetura da informação

Não disse que Arquitetura da informação é um termo descabido para o design na web, e sim para o design. Em relação a tríade, acredito que também está se referindo a web. Na questão da Bauhaus, muitos dos trabalhos foram rejeitados junto a produção industrial não pelo uso, que de certa forma justifica o desenvolvimento do projeto, mas pela dificuldade na serialização e cito como exemplo alguns dos estandes de Herbert Bayer. Concordo com você em muitos dos outros pontos levantados, mas ainda não vejo nenhuma justificativa em associar arquitetura da informação com o design. Talvez a discondância esteja na compreensão etmológica. Escrevi um artigo e estou para publicar sobre o que é design, dá uma olhada! um abraço cara!
http://professorpdb.blog.terra.com.br/

 Alexandre Marcel Alves Ribeiro
19/11/2007 23h02

Arquitetura da informação

Bom, vendo desta forma concordo com você. Se te compreendi, o que você afirma é que a arquitetura da informação torna-se uma ferramenta somente ao momento em que o design é aplicado na web.
Uma área tão ampla como o design tem várias frentes. O que pode ser descabido é tentar resumir o design somente em poucas frases, uma explicação genérica para todas as suas possibilidades. Não dá pra pensar somente em produção...
Não consigo separar o design da arquitetura da informação, por causa da minha formação.
Deixei o um curso superior no ramo de design de produto para em uma instituição federal para cursar em uma particular um curso superior tecnológico em design para web. E lá a arquitura da informação esteve sempre presente.

 Bruno Gomes
21/11/2007 10h08

Webdesign

Em se tratando de "Webdesign", a questão da Arquitetura da Informação é de extrema relevância, pois é onde pensamos no usuário o que por exemplo no design gráfico ou de produto seria a ergonomia.ok?
abraço a todos

 Marcos Paes de Barros
25/11/2007 22h23

Web design

Em web design, alias, em desenvolvimentos em espaços digitais (sites, bco des dados...)acredito que a arquitetura da informação é relevante sim, porém não é substituida pela ergonomia no dg ou dp, são áreas do conhecimento distintas, até pq um bom projeto gráfico, incluindo web, deve ter analises ergonomicas como por exemplo a relação do tamanho da fonte e a distancia do usuario para o monitor para uma boa legibilidade... enfim, é isso aí!

 Danilo Thomé Gonçalves
03/12/2007 15h44

Simplesmente perfeito

Parabéns pelo artigo e vou tomar como referência os livros e sites indicados. Vlw.

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Sobre o Autor
Eduardo Santos trabalha como Web Designer desde 2003. Tem seu foco de trabalho no Desenvolvimento com as Web Standard's e Software Livre. É Diretor de Arte Web da "Meglio Marketing & Design". Mantém o blog www.agni.art.br

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