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Segunda-feira, 22/10/2007 - 09:10 - Por Paulino Michelazzo
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O novo motor da web

A web está com um motor 2.0 zerinho. Mas estão seus desenvolvedores prontos para tanta potência? Conheça dois exemplos diferentes de motorização.

Admiro Tim O'Reilly por vários motivos. Criou uma empresa muito bem conceituada www.oreilly.com, edita ótimos livros e desenvolve um bom trabalho na área de FLOSS. Mas admiro-o ainda mais estando lado a lado com os gênios do marketing tecnológico, Bill Gates e Steve Jobs, para os quais não deve absolutamente nada quando o assunto é criatividade. Dentre suas façanhas para galgar tal posto encontra-se a cunhagem do termo Web 2.0 Wikipedia. Um nome bonito, simples e que ao mesmo tempo nada diz, como a maioria das propagandas dos grandes gênios. A evidência que ele é tão bom quanto seus pares está na capacidade de arrebatar milhares de seguidores em todo o mundo para o nada novo.

Pode pensar o leitor que sou contra a web 2.0. De forma nenhuma. Acho-a bonita, interessante, excitante. Mas sim, sou contra a forma como os fanáticos seguidores desta nova onda tentam pegar o bonde andando querendo sentar na janelinha. Deixando a analogia de lado, me impressiona a busca incessante por informações sobre novas tecnologias da afamada web 2.0 quando o programador ao menos toma cuidado de manter antigos conceitos fundamentais paralelos ao novo aprendizado. Neste momento, o possante motor da web 2.0 se torna um xumbrega 0.2.

Um mau exemplo

Há alguns dias precisei fazer a aquisição de uma passagem aérea partindo de São Paulo para o Oriente Médio. Sendo uma pessoa da web, nada mais lógico que usá-la para tal tarefa. Usando um conceituado site multinacional de viagens que opera no Brasil, consegui a reserva somente após vários telefonemas para o site, gastando tempo e dinheiro que não precisava. Os erros? Muitos. Uma mesma busca com as mesmas variáveis retornava resultados diferentes, datas incorretas, trechos errados e cancelamentos não solicitados. Tudo isso sinalizava para mim um mau código criado por um mau desenvolvedor que no deslumbre da web 2.0 maciçamente usada no site, esqueceu do básico que seria a verificação de queries executadas em uma base de dados, ou seja, acredita este que o novo motorzão de tão moderno, não precisa nem de óleo.

Vôo de idaVôo de ida

Vôo de retornoVôo de retorno

O leitor atento vai achar estranho como podem dois vôos entre as mesmas cidades possuírem uma diferença tão grande de tempo de viagem (10 horas). Poderia ser por alguma escala no meio do caminho, mau tempo ou então vento contrário, mas nenhum destes poréns era correto. De tão estranho, comecei a procurar na Internet se o avião usado pela companhia tinha autonomia para 20 horas seguidas sem reabastecimento e descobri que não existe um único aparelho hoje capaz disso (exceto em condições excepcionais para quebras de recordes). Assim sendo, a conclusão foi óbvia: soma-se ou subtrai-se o número de horas entre a partida e chegada sem levar em conta os fusos horários. Um erro tolo mas que custou-me vários dólares em tempo e ligações, além de alguns milhares de reais da empresa que precisa manter um (ou vários) funcionários ao lado do telefone para sanar problemas com clientes que não podem acreditar no horário de chegada de um vôo para marcar outro pois, a cada momento, uma nova informação é fornecida.

E o motorzão 2.0 da web? Virou um 0.2 no velho e bom telefone.

Um bom exemplo

Mas existem bons exemplos de como a web pode funcionar bem (e muito bem, obrigado) quando mesmo com um motor novo, não são esquecidas as lições aprendidas lá na auto-escola da Internet.

No mesmo período desta passagem, tive que solicitar um visto de entrada no Camboja, pequeno país da Indochina bem conhecido pelas suas paisagens florestais usadas em filmes do Rambo e da bela Lara Croft. Ao contrário do que o leitor preconceituosamente possa imaginar, este país que só conheceu a tranqüilidade civil em 1999 e que atualmente possui somente 44 mil endereços na Internet, mantém um dos melhores sistemas de e-visa do planeta E-visa, deixando para trás nações desenvolvidas de todos os continentes. De forma simples, fácil e objetiva, qualquer viajante (com as exceções de praxe) pode solicitar seu visto e de mais quatro pessoas eletronicamente, recebendo-os em qualquer lugar do mundo no prazo de três dias úteis. Erros e problemas no sistema? Simplesmente nenhum. Um pouco de web 2.0 bem dosada e uma sólida programação por trás do sistema fizeram com que mais de trinta e cinto mil turistas utilizassem a ferramenta desde seu lançamento que permitiu a redução de custos com papéis, funcionários, burocracia e claro, a paciência daqueles que desejam conhecer este interessante país.

Se existe comparativo dentro da Internet, o trabalho do ministério de turismo cambojano é a verdadeira web 2.0: eficiente, simples, prática e, neste caso, turbinadíssima.

A lição de mecânica

Não importa se você está pilotando um site 1.0, 1.3, 1.8 ou 2.0 (e já está chegando a 3.0!). Existem pequenas lições que aprendidas uma vez em qualquer motorização, devem ser usadas sempre. O usuário da web antes de querer cores bonitas, janelinhas saltitantes, efeitos especiais made in DreamWorks deseja informação e mais que isso, informação correta. Não acredita no que digo? Pois veja dois campeões unânimes de ibope, Google e Wikipédia e encontre onde está a web 2.0 multicolorida neles. Não é o show de efeitos que faz um site ser bem visitado, mas sim seu conteúdo bem estruturado e de fácil recuperação. A web 2.0 está errada não em sua conceituação, mas sim na mão daqueles que a programa e que acreditam ser o máximo uma janelinha Ajax aqui e ali. Bonita e bacana, ela perde toda a funcionalidade e finalidade quando o suporte dela é capenga e permite o retorno daquele motor 0.2 a lenha!

Você pode fazer muito pela saúde de seu motor 2.0 (e não ser um exemplo em um artigo como estes) se manter a manutenção básica do mesmo em dia com os seguintes pontos:

  • Atenha-se primeiro a informação e depois em como ela será distribuída. De nada adianta as belas caixinhas Ajax o códigos DOM mirabolantes se a informação não é estruturada ou é simplesmente, uma nuvem de CO2. É preferível um site simples, básico, funcional e com informação relevante do que aquela mega produção entediante. Conteúdo é o que conta (claro que se bem apresentado, melhor ainda);
  • Tome cuidado redobrado com fidelidade da informação que está distribuindo. Um pequeno erro em um zero pode custar uma retífica completa ou ainda a perda total do seu motor (inclusive de seu emprego). Faça verificações dentro e fora do sistema com o intuito de encontrar erros na programação e sane-os o mais breve possível. A web 2.0 aceita o conceito de ajuda do usuário para encontrar falhas e erros mas não abuse. Usuários não são seus beta-testers (como algumas empresas adoram fazer) mas sim parceiros.
  • Aproveite-se daquilo que seus usuários mais possuem: senso crítico. Quando um usuário navega de um lado para outro num site (facilmente verificável com um código de log atrás do sistema), alguma coisa errada está ocorrendo. Será que ele está encontrando a informação que precisa ou será que está pulando aqui e ali tentando achá-la? Se você possui formulários de contato para críticas e sugestões, use-o efetivamente. Críticas são sempre bem-vindas e muito úteis quando se deseja melhorar o que existe. Responda as críticas tanto com a correção/adaptação quanto para o usuário que a fez;

Finalizando

A web 2.0 e a novíssima 3.0 podem e devem ser usadas pelos desenvolvedores. Mas como já cantado por Jorge Benjor, prudência e canja de galinha não faz mal à ninguém. Deixe de lado os efeitos pirotécnicos (a menos que esteja fazendo o site do concurso mundial de fogos de artifício Festival de fogos de artifício) e atenha-se onde realmente é necessário usar tal conceito. Interações com o usuário são muito importantes mas ainda mais importante é a resposta dada. A frustração do usuário é muito maior quando a resposta obtida à sua necessidade é pífia do que aquela encontrada na dificuldade de obtenção da resposta.

Não esqueça que aquelas regrinhas básicas aprendidas nos gols, unos e até fuscas são usadas até para dirigir uma Lamborghini. E na web a analogia é a mesma, o básico é básico mas nunca deve ser desperdiçado.

Todos os artigos de Paulino Michelazzo

19 comentários publicados

  • 1. Ótimo!

    Segunda-feira, 22/10/2007, por Felippe Medeiros

    Parabéns Paulino!
    Simplesmente perfeito, boas palavras e abordagem! A web está precisando de aplicar este conceito realmente, dar mais importância para o básico correto do que o moderninho defeituoso.

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  • 2. Ian

    Segunda-feira, 22/10/2007, por Ian Liu

    Não concordo com todo esse conceito sobre a Web2.0. Muita gente fala mal e fica dando exemplos de erros semãnticos - que nada têm a ver com a tecnologia. Para esclarecer, o erro do horário do avião foi causado pela Web2.0? Não. Ele foi causado pela incopetência do programador, que cometeria o mesmo erro com qualquer que fosse a tecnologia usada por ele.

    Responder comentário
  • 3. Otima materia

    Segunda-feira, 22/10/2007, por Douglas Amorim Pereira de Arruda

    Parabens ao autor e complemento a opiniao do Ian, supondo que este tenha entendido o ponto de vista do autor. E uma critica meio off do contexto da materia, mas que precisa ser feita sempre. Eu particularmente tambem nao concordo nada com esse conceito, que por si so ja e bobo, especialmente se somado a infantilidade de que se um site nao for taaaao estritramente padronizado ja nao pode ser web 2.0. Sou desenvolvedor web pleno, calejado em webstandards, me sinto a vontade para abrir o bocao e dizer que sei fazer as coisas pelo menos da forma 'certa' (se e que isso existe...) E valido que as iniciativas prol os padroes sao validas. Todavia, quanto mais experiencia vc adquire, maior a capacidade de diferenciar o que e bom e o que do ruim, e isso nem todo mundo tem. A grande verdade e que a web continua a mesma, um pouco mais organizada talvez, mas zoneada. Quem conhece bem sobre XML e XHTML percebe que um padrao (o segundo), em alguns momentos apresenta inconsistencias por vezes geram argumentos contraditorios em relacao aquilo que se propoe.
    Nao existe marco 1.0, 2.0, porque a natureza da web e transitoria... Partindo deste principio, o que manda e o bom senso do profissional sobre as coisas mais simples, meramente seus objetivos plenamente.

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  • 4. Falha minha..

    Segunda-feira, 22/10/2007, por Ian Liu

    Após ler o comentário do Douglas, percebi que errei.. Depois que li o exemplo do avião fiquei irritado e parei =P Minhas desculpas, o seu artigo passa uma visão semelhante à minha!

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  • 5. Agradecimentos

    Terça-feira, 23/10/2007, por Paulino Michelazzo

    Agradeço à todos pelos comentários sobre o artigo e aproveito para agradecer ao colega Ian que, após seu equívoco, acertou no comentário. De fato, o problema não foi causado pela web 2.0 diretamente, mas sim pelo programador que fatalmente se esqueceu do "feijão com arroz" por causa dela.
    Abraços à todos e convido-os a conhecer meu site profissional onde estes e outros temas são abordados com mais profundidade.

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  • 6. Basuca pra matar mosquito

    Terça-feira, 23/10/2007, por Marcelo Gomes

    Realmente colega, o que desenvolvedores andam fazendo é como se fosse pegar uma "Basuca pra matar mosquito".
    Eu uso o AJAX praticamente na mão, pois tem gente que prefere inserir BIBLIOTECAS completas para fazer as vezes uma coisa simples, sem necessidade de uma bilbio completa, tirando a vantagem real do ajax que é maior velocidade. Ótimo artigo. Isso demonstra completamente nossa indignação ao desperdício de tempo, banda, etc.

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  • 7. Qual é seu site?

    Terça-feira, 23/10/2007, por Junio Albino

    Parabéns pela matéria, gostaria de saber qual o endereço de seu site.

    Responder comentário
  • 8. Boa Visão

    Terça-feira, 23/10/2007, por Emerson Cardozo

    É ralmente uma boa visão do que está acontecendo na WEB, valorizo muito o básico que é esquecidos por alguns.
    Está é uma boa matéria para acordar os novatos que acham que um bom site é aquele que sai pulando...

    Responder comentário
  • 9. Boa Visão

    Terça-feira, 23/10/2007, por Emerson Cardozo

    É ralmente uma boa visão do que está acontecendo na WEB, valorizo muito o básico que é esquecidos por alguns.
    Está é uma boa matéria para acordar os novatos que acham que um bom site é aquele que sai pulando...

    Responder comentário
  • 10. Website

    Terça-feira, 23/10/2007, por Paulino Michelazzo

    Júnio, o endereço do site é http://www.michelazzo.com.br
    Abraços

    Responder comentário
  • 11. Execelente

    Terça-feira, 23/10/2007, por Guilherme Maia

    Paulino,

    Está execelente essa sua matéria..., e achei tambem exepcional você ressaltar os códigos do site, já estou esperando chegar a web 3.0 rsrsrs



    No que eu puder lhe ajudar, é só entrar em contato!!!


    Abração

    Responder comentário
  • 12. 'bazooca para matar uma mosca;'

    Terça-feira, 23/10/2007, por Douglas Amorim Pereira de Arruda

    E exatamente isto...

    Responder comentário
  • 13. É bem isso mesmo

    Quarta-feira, 24/10/2007, por Felipe N. de Moura

    Olha, eu programo direto na mão mesmo, e muitas são as vezes em que alguem vem e me pergunta "Por que", ja que com dream weaver, ou bibliotecas e frameworks, seria tao mais prático.
    Minha resposta, é sempre regada a exemplos como estes, citados anteriormente. Na verdade, acho que hoje em dia, a web, e a programação deve ser medida pela qualidade, nao pela velocidade em que é desenvolvida. Acho interessante o uso de ferramentas para o desenvolvimento de sites de natureza simples, mas quando se trata de informações importantes, nunca se deve usar algo que nao se tenha total dominio (ou seja, nao se esteja manuzeando direto no código). E como cada vez mais, dessas ferramentas mirabolantes sao lançadas, cada vez mais vemos "programadores" que sao na verdade, usuários, destes softwares de desenvolvimento, tirando emprego de verdadeiros programadores, e ainda muitas vezes, pondo em risco informações ou clientes, de uma empresa.
    Muito bom artigo, até a proxima...

    Responder comentário
  • 14. Hula-la

    Domingo, 28/10/2007, por Deni Augusto

    Parabens pelo artigo - simplesmente basico mas muito profundo. Por isso o Imasters e minha fonte de informacao. Parabens.

    Responder comentário
  • 15. Bem elaborada!!!

    Domingo, 28/10/2007, por Tiago Kochenborger

    Gostei muito dos seus comentários e acredito ter mesmo que mostrar as burrices que varias pessoas fazem ao programar mesmo até em sistemas simples como esses erro de horas, so não concordo com uma coisinha se todo mundo for fazer um site simples e sem umas novidades de efeitos e coisa nada muito estravagantes concordo mais que deve ser diferente isso eu levo em consideraçaõ quando entro em um site pois fazer um site padrao todo mundo faz mais fazer um layout legal e que se adpte a empresa e sem muitos efeitos mais que sejam com qualidade poucos conseguem!!!

    Um Grande abraço

    Quaisquer dúvidas entrar em contato.

    Responder comentário
  • 16. gostei!

    Quarta-feira, 31/10/2007, por jorge luiz fernandes

    Na verdade tem muita gente que quer correr sem saber andar.

    Responder comentário
  • 17. Finalmente...

    Sexta-feira, 30/11/2007, por Luciano I. R. Mazzetto

    Gostei, e gostei mesmo.
    A tempo procuro alguem com o mesmo pensamento, gerar soluções é o objetivo!!, soluções para ambos os lados.

    abraço

    Responder comentário
  • 18. UIA

    Sábado, 01/12/2007, por Gills Lopes

    É sempre bom ver o Paulinho na ativa..
    abração, cara.
    Espero revê-lo no II Ensol.

    Responder comentário
  • 19. Num precisa nem dizer...

    Quinta-feira, 10/01/2008, por Raphael Silva

    É isso aeh Paulino, acho que as vezes a galera se esquece do "feijão com arroz" que é a base de tudo. Ou mesmo tenta mostrar aquele monte de botões, janelinhas e efeitos, e se esquece de se preocupar com que realmente o cliente ou usuário precisa(um serviço simples e eficiente). Sua matéria foi 10! Abraço!!!

    Responder comentário

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Sobre o autor

Paulino Michelazzo é especialista em ferramentas de gestão de conteúdo e escritor técnico. Atualmente atende clientes nacionais e internacionais de vários segmentos pela sua empresa Fábrica Livre (www.fabricalivre.com.br) provendo soluções em Drupal, Mambo e Joomla!


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