Quinta-feira, 20 de abril de 2006 às 13h28

Digitais políticas e tecnológicas na TV

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Há muita agitação entre os empresários do ramo de telecomunicação por conta da escolha do padrão a ser escolhido pelo governo brasileiro para a implantação da TV digital. A disputa é forte entre os modelos europeu (DVB) e japonês (ISDB). Deixando de lado as siglas que infestam o mundo virtual – e que existem aos montes – estão em jogo investimentos bilionários, desenvolvimento tecnológico e novas formas de domínio da informação e do entretenimento oferecido à sociedade como um todo. Em nível de marketing e propaganda, o novo formato trará perspectivas imensas, como alto grau de interatividade com o público-alvo e condições excepcionais de medir a penetração das peças criadas, para ficar nos itens mais visíveis.

Pesquisadores brasileiros também se mobilizaram em defesa de um modelo nacional já desenvolvido e testado. Garantem que o Brasil pode estar na linha de frente e depender o mínimo possível de tecnologia estrangeira. Não há ranço xenófobo na posição dos cientistas brasileiros. Eles admitem que o resultado do projeto nacional de TV digital comporta a utilização de mecanismos já em operação nos modelos europeu, japonês e o norte-americano, sendo que este último é tido como descartado na disputa porque tem peculiaridades incompatíveis às necessidades do Brasil.

As empresas do ramo de telecomunicação, sejam voltadas à transmissão de dados, à produção de equipamentos ou produtoras de conteúdo vivem um clima de suspense. A decisão que o governo abraçar vai definir as ações que tomarão conta dos setores envolvidos durante os próximos anos. Para os usuários está chegando o tempo de acompanhar transmissões de TV em telefones celulares, laptops e outros receptores digitais de imagens e som. As mais poderosas mídias estarão disponíveis no bolso, na maleta de pessoas em trânsito. A primazia do sofá está com os dias contados.

Um balão de ensaio está preste a ganhar o céu virtual. A Gradiente decidiu não esperar a definição do padrão de TV digital e anunciou o lançamento de uma microssérie com seis episódios que poderá ser acompanhada pelos usuários do novo aparelho celular que colocará no mercado. Os filminhos terão no máximo 2 minutos e, segundo a empresa, vão permitir aos internautas interferir no rumo da história. Os capítulos serão renovados semanalmente.

O aprimoramento que se seguirá à definição do projeto de TV digital do Brasil vai dar uma agilidade fantástica às transmissões. Hoje, as empresas de TV a cabo oferecem alternativas impensáveis pouco tempo atrás. Nos pacotes mais completos, o assinante pode assistir no horário que melhor convier o noticiário que já foi ao ar. O filme pode ser congelado enquanto um telefonema é atendido e retomado a partir daquele ponto, como se fosse um DVD. Essas e outras ações serão possíveis durante um passeio no parque ou entre um mergulho e outro à beira da praia. O espetáculo da vida é cada vez mais visual, rápido, e precisa caber em outras telas.

É certo que a expansão da TV digital móvel estará atrelada a uma série de soluções tecnológicas absolutamente viáveis, que dizem respeito principalmente à transmissão de dados em alta velocidade via internet. A palavra de ordem é convergência de mídias.

Enquanto a novela da escolha do padrão brasileiro de TV digital é transmitida e acompanhada da forma convencional, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, no olho do furacão, tenta equilibrar o jogo de interesses em torno da polêmica. As declarações dele dão pistas, mas não admitem que se faça uma aposta certeira de como o governo baterá o martelo. Até o adiamento da definição para 2007 já é tido como provável.

3 comentários

 Flávio Preza Costa
20/04/2006 13h36

Númber One

Meu primeiro teste no imasters

 Jose Rocicleudo de Oliveira Mariano
22/04/2006 10h37

Digital hummm, bom!! Por Quanto????

evoluir para a tv digital é muito interresante e necessário, mas será que os brasileiros estaram preparados financeiramente para aderir a tecnologia? tomara que não venha beneficiar somente os investidores extrangeiros.
tenho dito!
um abraço!

 Edgar De Cesaro
15/05/2006 23h18

EM JOGO

Mais uma vez vemos uma decisão que pode afetar todos nós desde simples mortais consumidores até os empresários da area, e minha preocupação é que o governo novamente tenha poucas lucidez ao fazer suas escolhas, seja por presão politica ou por pura imcompetencia egocentrista. A palavra de peso nessa decisão deveria vir dos cientistas brasileiros, e a eles deveria ser dada a oportunidade de um sistema proprio brasileiro, já que nossos cientistas tem demosntrado que é possivel e compativel com os melhores sistema estranjeiros, quando será que os governantes terão coragem e patriotismos de apostar em nossos talentos?

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Sobre o Autor
Roberto Guarnieri é sócio e fundador da A1.Interativa, presidente e diretor de criação. Lidera uma equipe de criativos reconhecida internacionalmente. Vencedor de dois dos quatro Grand Prix do El Ojo de Iberoamérica, duas vezes finalista no Festival de Londres, tem artigos publicados em revistas especializadas como About, Propaganda e Marketing e Meio & Mensagem. Sócio do Clube de Criação de São Paulo, foi jurado na categoria interativa. Durante vários anos consecutivos, é palestrante do Seminário Internet e Relacionamento, maior evento brasileiro sobre o assunto.
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