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Quinta-feira, 02/03/2006 - 13:03 - Por Vagner Vilela
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Um susto na comunidade de desenvolvedores Borland

Desenvolvedores de software (vulgarmente conhecidos como programadores) são pessoas singulares. Ao mesmo tempo em contato com alta tecnologia são também pessoas capazes de expressar grande sensibilidade e um espírito passional muito grande. Não bastasse a paixão pelo que fazem (até aí poderíamos dizer que não há nada de especial, pois há muitos profissionais apaixonados por sua atividade), é peculiar também a paixão que eles transferem para as ferramentas que utilizam e seus fornecedores.

Para que o leitor entenda o que aconteceu no mercado de desenvolvimento de software em fevereiro de 2006, farei uma breve introdução teórica.

No processo de desenvolvimento de software distingue-se quatro partes a grosso modo: 1. análise, 2. projeto, 3. desenvolvimento e 4. testes. O desenvolvedor participa prioritariamente na fase 3. As fases 1, 2 e 4 ficam a cargo de analistas de sistemas, projetistas e engenheiros de software. Essas fases são chamadas de Ciclo de Vida do Desenvolvimento de Software. Uma grande fabricante de software chamada Borland (www.borland.com.br) criou uma série de ferramentas para as fases 1, 2 e 4 e chamou-as de ALM (Application Lifecycle Management). O ALM seria a ferramenta de trabalho dos Analistas e Engenheiros de Software.

Já a ferramenta de trabalho básica de um desenvolvedor é a “linguagem de programação”, também chamada de IDE (Integrated Development Enviroment), que é resumidamente um programa que faz programas, (foi com uma linguagem de programação que foi feito este navegador ou este editor de textos no qual você está lendo essas minhas linhas). Existem dois grandes fabricantes de linguagens no mundo: a Borland (já citada) e a Microsoft (www.microsoft.com.br), que produzem as duas mais conhecidas linguagens de programação do mundo: o Delphi e o Visual Basic, respectivamente. Ocorre que os desenvolvedores (muito mais que os Analistas e Engenheiros) amam as suas linguagens e admiram seus fabricantes. Eles compram camisas com o logotipo da linguagem, bonés com a marca do fabricante, canetas, canecas, mochilas e toda a sorte de apetrechos que o diferenciem do “outro”, desprezível e menor desenvolvedor que usa a “outra” linuguagem. Freqüentam eventos, se reúnem e se encontram discutindo quão pior a “outra” linguagem é que a sua.

O fato é que o mundo de desenvolvimento há muitos anos atrás se dividiu ao meio, entre: Borland Delphi x MS Visual Basic (hoje chamados Borland Delphi Studio e MS Visual Studio). E as duas comunidades não se bicam muito. Há uma certa rivalidade. (Nada que se compare ao futebol, absolutamente!).

Essa introdução foi para situar o leitor, para que tendo em vista esse cenário, se possa imaginar o impacto que pode causar na cabeça de um desenvolvedor Borland a seguinte notícia:

“Os desenvolvedores sempre terão papel importante no ciclo de vida da aplicação, mas os mercados de ALM e de IDE são muito diferentes – requerendo modelos comerciais distintos, distintas estruturas operacionais e de marketing e uma equipe de R&D com foco”, disse Nielsen. “Os dois mercados são importantes, mas a Borland já não pode mais dar aos dois os recursos e a atenção de que ambos necessitam. Assim, a Borland decidiu focar suas atenções totalmente para o mercado de ALM, assim protegendo os interesses da comunidade de desenvolvimento. Queremos criar uma empresa independente focada no avanço da produtividade de desenvovedores independentes.” A Borland contratou os serviços Bear, Sterns & CO. Inc. para o gerenciamento da identificação de um comprador para os seus recursos IDE.
Fonte: www.borland.com/br/...borland_acquires_segue_software.html, consultado em 22/01/2006.

Tod Nielsen é presidente da Borland e de uma maneira muito sutil, educada e delicada, anunciou: “estamos vendendo o Delphi”! Ou seja, não haverá mais um Borland Delphi. Haverá um “Xxxxxxx Delphi”, mas Borland Delphi não. A Borland não tem mais tempo para linguagens de programação e não pode dar mais atenção a esse mercado.

Já não desenvolvo profissionalmente há dois anos e meio, e quando desenvolvia utilizava MS Visual Basic. E com certeza eu ficaria triste em saber que a MS venderia o Visual Basic (VB para os íntimos). Pois tudo isso que eu disse acima também se aplica a mim quando eu desenvolvia e até recentemente (quando ganhei uma camisa do Gerente de Desenvolvimento da Microsoft).

Mas uma medida dessa leva anos para impactar diretamente na vida da massa dos desenvolvedores. Quando algo acontece nesse mercado, os desenvolvedores top de linha e em contato direto com a Borland sofrem primeiro esse impacto e repassam sua experiência para o restante da turma, que sofre por antecipação.

O que vai acontecer com o Delphi (e todas as outras linguagens da Borland), não se sabe. Se o Visual Basic vai dominar o mercado de vez (hoje ele é líder no seu segmento), também não dá para saber.

Um aspecto me chama a atenção: a demanda que a Borland teve com o que realmente interessa no desenvolvimento de software: o projeto. Se a Borland tomou uma decisão como essa é porque há muita gente interessada em pagar (e muito!) para ter soluções de ALM. Há um mercado para isso. Até então os Engenheiros e Analistas, não possuíam em um só pacote um conjunto tão completo de ferramentas como pretende ser o ALM. Pode haver uma polarização das maiores fabricantes de software do mundo: a Microsoft de um lado com linguagens de programação e a Borland de outro com ferramentas de análise. Quem vencerá: quem faz a ferramenta do engenheiro ou quem faz a ferramenta do pedereiro?

Todos os artigos de Vagner Vilela

15 comentários publicados

  • 1. engenheiro x pedreiro

    Quinta-feira, 02/03/2006, por Marcio dalago

    Do que adianta ter alguem que pensa em um muro sem ter alguem que levante o muro, acho isso parecido com a teoria da conspiração, acredito que a microsoft comprou a borland em oculto? oque vcs acham?

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  • 2. Borland é Borland

    Sexta-feira, 03/03/2006, por Renato Teixeira

    Se isso for mesmo verdade, muito possivelmente a qualidade vai cair... os caras da Borland são OS Caras, tá pra surgir uma empresa de nível igual à Borland.
    To meio por fora pq meu mercado é web, to começando a migrar agora pra aplicações desktop, então acredito q vai ser o mesmo rebuliço q foi quando a macromedia foi comprada pela adobe. No final, talvez dê tudo na mesma... e só ganhemos com isso.

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  • 3. Linguagem de programação != IDE

    Sexta-feira, 03/03/2006, por Edgard Beltrao Leonel

    Blz, Vagner! Acho que no seu artigo vc confundiu dois conceitos distintos. Linguagem de programação é linguagem para escrever programas para computador, ex: Pascal, Java, Python, etc... IDE (Integrated Development Environment) é uma ferramenta que integra, em geral, editor de texto, depurador e compilador. ex: Delphi, JBuilder, NetBeans

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  • 4. Não existe melhor linguagem...

    Sábado, 04/03/2006, por Vitor Padilha Gonçalves

    Caros leitores, acredito que posso falar com conhecimento de causa pois como o Vagner também programo em várias linguagens entre elas Delphi e VB.

    Na minha sincera e humilde opinião acredito que não exista melhor linguagem mas sim uma melhor adptação a ela, pois conheço excelentes programadores em ambas as linhas e todos tem resultados fantásticos com qualquer uma delas. Na verdade o conceito de programação esta mais aplicado a lógica em si do que com a ferramenta de desenvolvimento.

    Portanto tanto faz para mim um programador que desenvolve em VB ou Delphi, o que importa é o resultado final.

    Abraços,

    Djalma.

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  • 5. Show de Bola a matéria!

    Quinta-feira, 09/03/2006, por hogs

    Vou ter que concordar com o Djalma :) Parabens ao Vagner, otima matéria! Abraços!

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  • 6. Posicionamento oficial da Borland

    Sexta-feira, 10/03/2006, por Rita Cunha

    Caros,

    A opinião exposta acima, no artigo de Vagner Vilela, não reflete o posicionamento da Borland, que está claro na carta publicada por David I. O texto foi enviado para toda a comunidade de Delphi no País e está disponível na página principal do site da Borland, em anúncios: www.borland.com. Acessem!

    Att,
    Rita Cunha
    Relações Públicas da Borland no Brasil

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  • 7. Fantástica matéria...

    Quarta-feira, 15/03/2006, por Bruno Linhares

    Gostei muito dessa materia.
    Mostra bem o quanto a conduta das empresas do ramo de desenvolvimento em geral estão mudando seus conceitos sobre o "planejamento do software".
    O que fiquei espantado, é o fato da Borlando simplesmente " largar-a-mão" do Delphi.
    Posso estar errado, e me corrijam se estiver, mas tenho pra mim, que uma empresa do porte da Borland, poderia muito bem separar seus setores e continuar c/ o Delphi, s/ que seja necessário vender.
    Imaginem: 2 setores na Borland, cada um voltado a seu projeto e publico, mantendo-se dentro da mesma empresa.

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  • 8. Comentário em Evento Borland

    Quarta-feira, 22/03/2006, por wenderson de oliveira de castr

    Caros Colegas,

    Em um evento do lançamento do Delphi 2006, o palestrante comentou que não as linguagens de programação da Borland não serão vendidas, apenas criarão um setor especifico para cuidar desta parte "DevCo" se não me ingano, mas que esta empresa será independente da Borland e que tera uma infraestrutura toda separada e com recurso proprios para serem gastos com as mesmas. no evento devulgarão nova ferramentas que estão em criação para 2007 com Delphi para 64 e windows Vista, e que terão mais atenção para o delphi e sua divulgação....

    Abraços,

    Wenderson Castro

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  • 9. Mappin

    Quinta-feira, 30/03/2006, por VALTÉCIO SOEIRA

    Vamos torcer que as respostas que David I mencionou em seu comunicado representem, num futuro bem próximo, a sustentabilidade das IDE's ao nome Borland. Mas concordo quanto à necessidade de um ambiente aderente a todo ciclo de vida de um projeto de software, ou para outras finalidade também.

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  • 10. Complementando

    Quarta-feira, 05/04/2006, por Sandokan Dias

    Na verdade a marca DELPHI é mais forte que a marca BORLAND, o que eles farão é como se fosse criar uma nova empresa com a marca DELPHI, esse comentário de que será vendido, é pura especulação...

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  • 11. Bateram o martelo.

    Quarta-feira, 31/05/2006, por Mariano Almeida

    Caro colegas, foi definido nesta ultima quinta feira 25/05 que a nova proprietária das IDE´S de desenvolvimento da Borland e a DEVCO.
    Para acalmar os desenvolvedores eles declararam estar abertos a sugestões de toda comunidade desenvolvedora e estão fazendo diversas contrataçãos incluindo a volta de antigos desenvolvedores da Borland.

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  • 12. Como você sabe disso ?? Mariano Almeida

    Terça-feira, 27/06/2006, por Vinicius Climaco

    Como você sabe da venda das IDE´s, ainda não saiu nada no site oficial da Borland... qual o nome da nova empresa ? quem comprou?

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  • 13. delphi forever

    Sábado, 23/09/2006, por marcelo peres

    Talvez a borland esteja protegendo o delphi/c ao passá-los para a devco e nao o contrário.
    Me animei quando li que estao chamando os antigos programadores que fizeram a historia de sucesso dessas ferramentas fantasticas.
    Quem ja viu/usou o delphi 2005/6 ? parece o vb, Santo Deus!
    Sabemos que a microsoft comprou parte da borland. O .net entrou com tudo alterando a cara do delphi.
    Outro dia eu ouvi um amigo dizer que é mais facil programar em .net no studio da microsoft do que no delphi studio e acredito pq pode ser a tatica da microsoft de minar o delphi.
    Entao acho que a borland tem mesmo que repensar sua ferramenta principal, tira-la dessa lama toda e chamar o pessoal pra fazer o delphi voltar as origens.

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  • 14. A verdade

    Quarta-feira, 30/05/2007, por Herbert Moroni

    Em uma palestra em São Paulo, com um Consultor da Microsoft chamado Fabio Camara (antigo consultor da borland) ele contou que encontrou em um evento da Microsoft nos EUA um antigo amigo que trabalhava para a Borland e hoje trabalha para a Microsoft. Ele fez a seguinte pergunta: Como esta sendo trabalhar agora para a Microsoft, antiga rival da Borland? E teve a seguinte resposta: Não sinto diferença alguma, todos meus amigos de lá trabalham comigo aqui...

    Ou seja, a Microsoft levou em massa os melhores profissionais da Borland. Porque? Acredito que a Borland é a grande culpada por não forncer um ambiente de trabalho adequando que impedisse isso. E a Microsoft como sabemos, joga sujo e costuma aproveitar essas "bobeiras dos concorrentes".

    A linguagem C# foi desenvolvida por Jacob Nielse, inventor do Pascal e do Delphi. O mesmo foi uma peça importante no desenvolvimento do .NET Framework, ingrediente fundamental da nova Plataforma .NET da Microsoft.

    Será que a Borland não poderia estar com essa plataforma ela? Será que os conceitos principais da mesma não foram criados dentro da Borland?

    Como o autor do artigo citou: "Quando algo acontece nesse mercado, os desenvolvedores top de linha e em contato direto com a Borland sofrem primeiro esse impacto e repassam sua experiência para o restante da turma, que sofre por antecipação." - COMENTANDO: Em São Paulo os maiores intusiastas da plataforma .NET eram usuarios do Borland Delphi.

    O C# foi criado para agradar esse publico já que a rivalidade entre VB e Delphi era grande. Nenhum programador Delphi quer migrar para VB mas eles adoram o C# porque é tudo o que esperavam da evolução do Delphi.

    Foi criado o VB.NET para os programadores VB com os mesmos recursos do C# ou seja agora a Microsoft agradou todo mundo.

    Ainda comentando um evento em São Paulo, na Microsoft ,cujos palestrantes são certificados Borland e agora são Microsoft, logo no começo eles brincaram, colocando a mao no coração e dizendo: "um minuto de silencio em prol do delphi".

    Finalizando: Como a borland perdeu a briga com a linguagem tentou focar no ciclo de desenvolvimento, para tentar respirar. No entando a Microsoft já tem no mercado uma ferramenta totalmente integrada com .NET com recursos de Data Warehouse e que já implanta CMMI nivel 3 conhecida como VSTF que controla todas as fases e processos do ciclo de desenvolvimento. Ou seja, quem usar a plataforma .NET não vai usar ferramenta borland.

    Na minha opinião a briga agora é entre a plataforma .NET e o JAVA.

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  • 15. Quem conhece pascal muito bem não pensa em outra linguagens.

    Domingo, 30/03/2008, por Jackson Silva

    sou programador de delphi, mais como programador tive meus incriveis momento com o turbo pascal 7 onde aprendir a programar pascal. em minha opinião não me importo com a venda das ides do delphi desde que seja mantido a extrutura "PASCAL" para mim estar tudo bem. claro que com o delphi o desenvolvimento de aplicações com qualidade, rapidez e complexidade para windows eram terminada muito mais rapidas. mais aleto que a linguagem "PASCAL" é muito mais forte que o proprio delphi em si, quem realmente programa pascal não senti tanto os efeitos nocivos desta atitude tomada pela propria Borland. sempre respeitei a BORLAND por me proporcionar a oportunidade de brincar de DEUS ao me dá o poder da criação. não sou um programador famoso e talvez nem queira mais gosto da ideia de poder criar. continuo até hoje programando em turbo pascal e delphi em suas versões antigas como turbo pascal 5 e 7 e delphi 4 e 6 e não estou sentido nececidade de migrar para nenhuma programa que não use a extrutura "PASCAL". vcs me perdoe mais c# é uma linguagem para doido sem muita logia alem de muito complexa. o bom de se programar em delphi é que seu produto final é sempre indempedente, não requer nada mais alem do aplicativo para rodar nos pcs. eu odeio baixar programa da net em vb e quando vou execultar é exibida a mensagem que algo a mais precisa estar instalado no pc para o programa funcionar isso me irrita muito. minha pessoa só reconhece pascal como linguagem e o resto é lixo em minha humilde opinião. não vou para de desenvolver aplicações com codigo pascal mesmo que os mesmo fiquem ultrapassados ou obsoletos. paixão é paixão!!!

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Sobre o autor

Vagner Vilela é Analista Desenvolvedor com 15 anos de experiência em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Fluente em SQL, ferramentas Case, projetos de banco de dados, análise, projetos e manutenção de sistemas. É graduando em Matemática pela Universidade Federal Fluminense. Atualmente realiza estudos em Análise e Projetos de Algoritmo, Gerência de Projetos, UML e é Analista de Sistemas da SidTech Informática.


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