Quarta-feira, 06 de julho de 2005 às 13h24

A etiqueta inteligente

Imagine que você possa saber o valor e a quantidade de tudo que está no seu carrinho de compras, sem precisar somar ou contar o seu conteúdo ou saber o que está dentro da sua geladeira, controlando o que entra e sai automaticamente. Agora imagine uma empresa ter a contagem dos itens do seu estoque, quase imediatamente, sem abrir uma única caixa de produto. Impossível? Ficção científica? Nada disto. O segredo para tudo isto se tornar realidade está na sigla RFID (Radiofrequency Identification) ou para nós Brasileiros Identificação por Rádio-freqüência.

O RFID é um dispositivo que pode estar presente em uma etiqueta, crachá ou qualquer outro lugar, com o objetivo de identificar coisas ou pessoas à distância. Seu princípio de funcionamento baseia-se em um chip que, ao receber uma onda eletromagnética (onda de rádio) em uma freqüência específica, emite de volta, também por radiofreqüência, um código de identificação, chamado de EPC (Electronic Product Code) ou Código Eletrônico de Produto.

Esta tecnologia é hoje utilizada com o objetivo de rastrear produtos na cadeia de suprimento de grandes lojas e hipermercados, e assim melhorar sua logística de distribuição. Apesar deste uso ficar escondido dos usuários finais, já começam a surgir outras aplicações não tão “ortodoxas”. Por exemplo, há o caso de um projeto, desenvolvido em uma escola americana, onde se tentou utilizar estes dispositivos, instalado em crachás, para localizar os alunos dentro de suas instalações. Certamente este fato é de deixar as pessoas preocupadas com a sua privacidade de cabelo em pé.

De acordo com Kevin Ashton, pesquisador do MIT (Massachussetts Institute of Technology), até 2050 sairemos da Era da Informação para entrarmos na Era do Sensor, onde as máquinas poderão identificar o mundo ao seu redor e, assim, melhorar a interação com outros dispositivos e pessoas. Segundo ele, a tecnologia de RFID associada ao EPC afetará a sociedade tal como o fizeram o rádio e a eletricidade.

É claro que a incorporação desta nova tecnologia se dará de forma gradual, da mesma forma que ocorreram outros “avanços”, como os microcomputadores, e-mails e telefones celulares. Mas, assim como toda tecnologia em seu estágio inicial, o RFID ainda precisa de muitos investimentos para manter seu ritmo de desenvolvimento.

Como o Brasil poderia se beneficiar desta mudança? Eficiência de sua cadeia de valor é uma característica chave na competição entre os países. Se quisermos melhorar nossa competitividade e reduzir desperdícios, o controle adequado do processo produtivo é a saída.

Os céticos afirmam que o RFID é uma tecnologia cara. Como tudo novo, o que importa é a escala. Cinco anos atrás, uma etiqueta dotada de um dispositivo de RFID era vendida por aproximadamente US$ 1,00. Hoje, com a adoção deste produto por algumas empresas, já existem etiquetas custando aproximadamente US$ 0.20. Espera-se que muito em breve este preço chegue a US$ 0,05.

Muitas novidades ainda estão por vir, mas é bom acompanhar de perto esta tecnologia. Afinal, a etiqueta colada na sua roupa, carro, livro ou CD poderá informar mais do que você desejaria.

4 comentários

 valmor seabra de oliveira
13/07/2005 08h15

Dúvida?

Amigo,Bom Dia !,

Destas etiquetas inteligentes e toda está tecnólogia de rádio frequencia...é
o fato disto ser prejudicial ao ser humano por etimir ondas eletromagnéticas, como todos estes avanços, celular, e tudo q emita ondas, fico preocupado para daqui uns 10 anos, as pessoas começaram a ter cancer.
Está minha opnião procede ?

 Gervânio Guimarães
13/07/2005 18h44

RF faz mal ou não?

Olá Eduardo. Sua preocupação é pertinente. Até o momento este assunto ainda gera muitas dúvidas pois existem diversos trabalhos científicos que afirmam que toda esta radiofreqüência que estamos expostos faz mal. Outros tantos falam exatamente ao contrário. Neste ponto o que temos de concreto é que: a potência emitida pelos leitores das etiquetas inteligentes ou mesmo os dispositivos de rede sem fio são muito baixas, da ordem de 40 mW. Já um telefone celular emite, em média, 1W (1000mW) de RF. Assim, pelo menos, SE a rediofreqüência faz mal, os celulares oferecem muito mais risco. Um forte abraço.

 Leandro Ribeiro
10/10/2005 15h26

RFID Onde Comprar?

Boa Tarde! Gostaria de saber onde posso me informar sobre esse assunto, e que tipo de material posso comprar para fazer alguns teste (antena, receptor e chip), e onde comprar?

 Thaís Abraham
09/11/2005 09h56

+ Informações

Olá, gostaria de saber como funciona todo o processo, existe alguma antena ou algo similar? E onde posso conseguir uma lista de fornecedores do produto? E qual o investimento inicial?! Grato

Cancelar resposta

Qual a sua opinião?

Faça login abaixo ou cadastre-se rapidamente.


Sobre o Autor
Gilberto Sudré é especialista em Segurança da Informação. Desenvolve trabalhos de consultoria em Redes de Comunicação de Dados e Segurança da Informação para empresas no Brasil e Exterior. É palestrante sobre Segurança da Informação, privacidade e infra-estrutura de redes; professor de graduação e pós-graduação. Também é comentarista de tecnologia da rádio CBN Vitória, articulista do Jornal A Gazeta (ES) e do portal iMasters. É co-autor do livro "Internet: o encontro de dois mundos" e autor de "Antenado na Tecnologia".

2001 - iMasters FFPA Informática Ltda - Todos os direitos reservados.