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Quarta-feira, 08/12/2004 - 11:44 - Por Paulo SantAnna
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Entrevista com Julio Battisti

Pessoal, tive o prazer de poder entrevistar um dos profissionais mais conceituados na área de informática aqui no Brasil e principalmente nesse segmento de certificações, onde se destaca pela elaboração de livros e manuais de estudo e por ser um dos que mais tem certificações no país.

Eu estou falando de Júlio Battisti, que já foi aprovado em 30 exames da Microsoft e possui as seguintes certificações: MCP, MCP+I, MCSE 2000, MCSA-2000, MCSA-2003, MCSE-2003, MCSE+I, MCDBA 2000, MCDST e MCSD e recentemente recebeu da Microsoft o título MVP,que premia aqueles profissionais especializados em tecnologias da Microsoft que se destacam. Além disso é Técnico da Receita Federal e atua como instrutor.

Vamos conhecer então um pouco melhor esse grande profissional e exemplo.

01. Julio, como e porquê você iniciou no mundo das certificações?

Resposta: Eu participei de alguns treinamentos do Windows NT Server 4.0 em Brasília, em um programa de treinamentos da Receita Federal, onde eu trabalho até hoje. Na época fiquei sabendo sobre as Certificações e me interessei. Estudei usando o conhecimento dos cursos, livros e simulados que adquiri pela Internet. Em cerca de três meses consegui o MCSE em NT Server 4.0. Com o MCSE, uma série de convites e oportunidades surgiram, o que me aumentou o meu interesse pelas certificações, como uma forma de dar credibilidade e abrir oportunidades ao profissional de Informática.

02. Quais os benefícios que as certificações proporcionaram a você quando você começou a fazê-las e hoje em dia?

Resposta: Quando eu comecei o principal benefício foram os convites para entrevistas de emprego e para ministrar treinamentos. Mas o principal benefício foi, acredito eu, a credibilidade. Eu mandei o projeto do meu primeiro livro, para a equipe da Axcel Books do RJ. Ele foi imediatamente aprovado, sem que eles me conhecessem pessoalmente. Foram publicados quatro livros antes de eu conhecê-los pessoalmente.

Eu acredito que este "voto de confiança" tem muito a ver com a certificação. Hoje em dia eu trabalho diretamente com certificações, elaborando manuais, simulados e artigos. Hoje a área de Certificações tornou-se uma boa fonte de renda para mim. E os convites para emprego, palestras e treinamentos continuam. Com isso tenho uma segurança como profissional, pois sempre a demanda tem sido maior do que o meu tempo disponível. Isso é, sem dúvidas, um fator importante em um mundo onde os empregos estão cada vez mais escassos.

03. Na sua opinião, qual é o melhor método de preparação para as provas de certificação?

Resposta: Essa é uma questão realmente muito individual, cada candidato tem o seu jeito preferido de estudar e se preparar. Eu sempre preferi estudar por conta, sozinho. Compro bons livros, uso intensamente os Resource Kits do Windows e o Technet. Compro também bons simulados, como o Transcender. Este é o meu método preferido, mas reforço que isso é muito individual, depende de cada um.

04. Qual a melhor opção, fazer as provas de certificação em inglês ou português?

Resposta: Sem nenhuma dúvida, em Inglês. Primeiro motivo: na área de Informática, o Inglês é muito, mas muito mesmo mais importante para o Mercado de Trabalho do que as certificações. Se o candidato foge do Inglês, de que adiantará ele ter a certificação? Muito pouco ajudará para a sua Carreira, se ele não dominar, pelo menos, a leitura do Inglês técnico. Então fugir do Inglês é a maior bobagem que o candidato pode fazer. Se o candidato não domina a leitura do Inglês Técnico, primeiro deve aprimorar o seu Inglês, para depois pensar em certificação.

05. Você é um autor reconhecido e um dos profissionais que mais possui certificações no Brasil, mas porque a decisão de especializar-se em Microsoft?

Resposta: É uma questão de mercado. Eu não consigo dar conta de todo o trabalho, baseado só em Microsoft. Então por que me especializar em outras plataformas? Além disso, por mais que cresçam outras plataformas (e sem dúvidas o Linux irá crescer muito nos próximos anos), ainda levará algumas décadas para alguém ameaçar a liderança da Microsoft. Até lá eu já estarei aposentado, cuidando dos netos, dormindo até meio-dia e pescando de tarde.

06. Uma dúvida de muitos: Ainda vale a pena fazer as provas de certificação da Microsoft?

Resposta: Sem dúvidas. O Mercado demanda bons administradores de redes baseadas em Windows 2000 Server ou Windows Server 2003, bons DBAs em SQL Server e bons desenvolvedores em .NET. E continuará assim por um bom tempo.

07. Certificação ou faculdade?

Resposta: Outra questão polémica. Eu fiz primeiro faculdade. Me formei em Engenharia Elétrica com 21 anos de Idade, pela UFSM. Hoje eu não faria mais isso. Primeiro eu iria para o Mercado de Trabalho, ganhar dinheiro. Depois, mais maduro, experiente, iria encarar um curso superior. Com este caminho eu acredito que aproveitaria bem mais a faculdade. Mas é uma questão muito pessoal.

08. Quantos e quais livros sobre certificações você já escreveu?

Resposta: Específicos sobre ceritificações são quatro. Dois no formato impresso e dois no formato de e-book:

- Manual de Estudos Para o Exame 70-290 - 1020 páginas. Este é um manual completo para o Exame 70-290, que é o exame de Administração do Windows Server 2003. É fornecido no formato de arquivo .PDF. O valor para o envio deste material, via download, é de R$ 20,00 e via CD é de R$ 25,00.

- Manual de Estudos Para o Exame 70-271- 892 páginas. Este é um manual completo para o Exame 70-271, que é o exame de Suporte Técnico do Windows XP e um dos exames obrigatórios para a Certificação MCDST. É fornecido no formato de arquivo .PDF. O valor para o envio deste material, via download, é de R$ 20,00 e via CD é de R$ 25,00.

- Manual de Estudos Para o Exame 70-216, 712 páginas: De R$ 153,00 por R$ 90,00 com frete grátis para todo o Brasil. Este livro (está disponível somente no formato impresso) de minha autoria, é um manual específico para o Exame de redes do MCSE, que é o Exame 70-216. Este livro trata da parte de redes, tais como TCP/IP, DNS, DHCP, WINS, RRAS, NAT, Roteamento, etc. Você encontra o índice completo do livro no meu site: www.juliobattisti.com.br. É para o Windows 2000 Server.

- Manual de Estudos Para o Exame 70-217, 752 páginas: De R$ 163,00 por R$ 90,00 com frete grátis para todo o Brasil. Este livro (está disponível somente no formato impresso) de minha autoria, é um manual específico para o Exame sobre o Active Directory, que é o Exame 70-217. Este livro é um curso completo sobre o Active Directory no Windows 2000 Server. Você encontra o índice completo do livro no meu site: www.juliobattisti.com.br. É para o Windows 2000 Server.

09. Para finalizar, qual o seu conselho para os profissionais de TI interessados em fazer alguma certificação?

Resposta: Tenham contato, o mais rápido possível com a prática. Se ofereçam para fazer estágios, nem que seja de graça. Estudar por livros e simulados é muito bom, mas a prática é que alavanca o aprendizado. Nos livros não ocorrem problemas, estes ocorrem na vida real. E os problemas práticos nos ensinam demais.

Enquanto eu fiz Engenharia Elétrica (quatro anos e meio) eu já estudava informática. Li algumas dezenas de livros nacionais e importados. Mas o acesso ao computador era bem limitado na época. Depois que eu entrei na Receita Federal, no concurso de 1994. Nos seis primeiros meses de trablho, eu aprendi muito mais do que nos quatro anos e meio de estudo teórico. A prática faz mágicas e proporciona um crescimento extraordinário. Então o meu conselho é: MÃO NA MASSA!!!!

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9 comentários publicados

  • 1. Espetacular

    Quinta-feira, 09/12/2004, por Fred Cabral

    Muuuito boa a entrevista... muitos aspectos importantes foram citados. Parabéns ao Paulo pelas perguntas que foram muito boas e tb a Júlio Battisti pelo profissionalismo e pela paciência em responder todos os emails de seus leitores com dúvidas.

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  • 2. Concordo

    Quinta-feira, 09/12/2004, por Rogério Louzada

    Assino em baixo do que o amigo Fred falou. Abraço!

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  • 3. Realmente, polêmica...

    Quinta-feira, 09/12/2004, por Fabiano

    Olá. Muito boa a entrevista. Agora, alimentando um pouco mais a "polêmica", discordo do pensamento do Sr. Battisti. A menos que eu esteja o interpretando erroneamente, acredito que a faculdade é imprescindível na formação de um profissional de TI, seja ele programador, DBA, ou o que for. Acredito ainda que a faculdade deve vir antes da certificação. Especialmente em se falando de cursos como Ciência da Computação ou Análise de Sistemas, dentre outros. Tais cursos oferecem uma base indispensável para o profissional. Defendo a idéia de que, assim como acontece em outras àreas, o exercício da profissão de um programador, por exemplo, seja regulamentado e que esse só possa ser contratado se possuir o diploma equivalente (como acontece com Jornalismo, Radialismo, Medicina, Direito, etc.). Assim, nos previnimos que certas pessoas - autodidatas, e às vezes, sem base - possam ocupar posições que deveriam estar reservadas para aqueles que preferem passar 4 ou 5 anos "ralando" para ingressar no mercado de trabalho e descobrem depois que certas vagas estão indisponíveis por conta daqueles. Claro que é uma questão polêmica, pois é sabido que os primeiros programadores eram da área de Engenharia Elétrica, como é o Sr. Battisti. Porém, com o advento de cusos criados especificamente para a área, acho que já é hora de nos prevenirmos de pessoas que desejem "furar a fila" e faturar uns reais enquanto nós investimos caro em nossa formação acadêmica. Essa é a minha opnião. Espero não ser mal-interpretado :)

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  • 4. Não desvalorize.... valorize...

    Sexta-feira, 10/12/2004, por Pedro Gandra de Carvalho

    OK, temos o direito de ter a opnião que quisermos, certo?? Mas temos que saber que enquanto uma pessoa que estuda quatro anos e meio numa ou mais numa faculdade, sai de lá, quase ou na maioria das vezes, totalmente cego e podemos dizer que pelo esforço dado por ele durante todo o tempo da faculdade merece sim uma vaga no mercado.
    Mas o mercado não quer pessoas que ainda não tem experiências confirmadas, e sim o contrário disso, o que acontece com o autoditada, que se reserva por aprender sozinho e entrar no mercado para ganhar dinehiro para depois perder tempo numa faculdade, cujo o unico interesse é no seu dinheiro, no caso de particular e no caso de federal tomam 75% do seu tempo, ou seja, ou você se sustenta ou perde lugar no mercado. Claro é uma questão como disse o Sr. Julio batistti altamente pessoal. Ganha a vida como cada um deve achar ganhar, minha opnião não é colocada aqui de forma geral, mas sim pessoal.
    E afinal de contas quem faz ou já fez faculdade e não se viu nos 4 primeiros semestre dentro de um cursinho??? Tem muita gente autodidata que prefere ganhar mercado para depois se colocar em uma faculdade, onde realmente com sua experiência "prática" aproveitara muito mais sua faculdade, tirando notas altas e valorizando não só o curso mas também a própria faculdade. Por isso respeito não somente aqueles cujo as carreiras vem de faculdades como também dos que são autodidatas, que não querem roubar espaço de ninguém, mas sim ser reconhecido pelo seu próprio valor.
    "Apenas gostaria de ser entendido, e não odiado."

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  • 5. Certamente...

    Sábado, 11/12/2004, por Fabiano

    Olá Radanés. Certamente, a sua opnião é muito válida. Em um país como o nosso onde o lema é "salve-se quem puder", a saída é ,muitas vezes, nos segurarmos no primeiro tronco de árvore disponível. Não sou contra o autodidatismo. Aliás, a existência de verdadeiros gênios desvinculados a quaisquer instituição de ensino em detrimento a verdadeiros burróides nas melhores faculdades é fato consumado. Entretanto, há de se convir que nossa profissão seria muito mais valorizada se porventura existisse um certificado de qualidade. (aqui pra nós, é relativamente fácil obter certificações de certas empresas num meio-tempo de 1 ou 2 meses de estudos). E qual seria esse certificado? A experiência por sí só? Ah não! Essa não garante a qualidade do profissional, pois esse pode ser "experiente" no desenvolvimento de sistemas pouco confiáveis. E aí? De quem é a culpa? E se houvesse um outro indivíduo, menos experiente, mas que cursou algumas cadeiras do tipo "Qualidade de Software", por exemplo? Qual dos dois, no final das contas, seria mais vantajoso e ao, mesmo tempo, mereceria ser mais valorizado no mercado? Acontece que o problema são os próprios empregadores! Minha experiência própria: quando estava no 5o período de meu curso, concorri a uma vaga de estágio em certa empresa. Estava muito confiante, e sentía-me preparado para programar em situações reais aplicações em Java, C/C++... Enfático, o entrevistador/chefe do departamento de informática da empresa, perguntou-me se eu sabia php. Respondi que sabia ASP, JSP, mas que não tinha experiência em PHP. A resposta foi também enfática: "Aqui nós queremos apenas 'profissionais' que trabalhem com PHP." E olhe que a bolsa era de R$ 300,00 sem nenhum benefício extra! Ou seja, o indivíduo queria mão-de-obra barata para trabalhar com uma linguagem que eu não tinha a menor obrigação de saber! A pessoa que ficou com a vaga era experiente em PHP, e vinha um curso técnico. Na hora pensei: "quer dizer que tudo que aprendi até agora na universidade não serve pra nada?!?" Bem acho que com esse exemplo dá pra notar como os cursos universitários estão sendo depreciados no mercado, quando absolutamente não deveriam! Por isso já decidi meu futuro: vou virar pesquisador na área de Inteligência Artificial. Ao menos, fujo faminto e ingrato mercado de TI. hehehe. :)

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  • 6. Dúvidas!

    Domingo, 12/12/2004, por Fillpe

    Oi meu nome é Willian Silva, eu estudo por conta própria. Atualmente estou estudando VB.NET comprei um livro de 1000 páginas com o título: Professional Visual Basic .Net com a capa com fotos dos profissionais que trabalham na Microsoft, os mesmo que desenvolveram o livro. Básicamente o livro não aborda técnicas de programação como as séries faça um aplicativo passo-a-passo, e sim aborda técnicas avaçandas como: Classes, Herança e coisas assim. Seria bom eu estudar apontando para esse quesito, para eu poder fazer um exame de certificação para VB.NET? Eu teria vantagem nisso ou a Microsoft exige que eu aprenda técnicas de programação passo-a-passso como construir um Controle de Estoque por exemplo?

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  • 7. Realmente está complicado

    Segunda-feira, 13/12/2004, por Fred Cabral

    Caro Renato Azevedo, realmente... As empresas tb não colaboram. Mas mesmo que o cara tenha contratado um cara experiente em PHP... Vc sabendo Java e C, não dou nem uma semana para vc aprender PHP... mas o cara que sabe PHP vai penar para aprender C. Não dá pra explicar certas coisa... fazer oq né?, mas AINDA existem empresas que dão valor a seus profissionais, poucas, mas existem.

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  • 8. Muito interessante!!!

    Domingo, 02/01/2005, por Paulo Ricardo Carnovali Cardos

    Olá amigo, primeiramente venho dizer que temos o nome muito parecido né?

    Bom na verdade venho parabeniza-lo pela ótima entrevista parábens xará!

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  • 9. Experiência Própria

    Quarta-feira, 05/01/2005, por darlan

    Bom dia. Realmente o mercado de trabalho é injusto com os profissionais. Nesse caso, escolher um profissional em PHP em vez do profissional em C e Java realmente é o fim da picada. Na minha opnião, digo por experiência própria, a especialização em alguma área (certificação) para integrar-se ao mercado de trabalho, viria em primeiro lugar, e depois a conclusão do ensino superior. Dessa forma, você aproveitará muito mais a faculdade. E parabéns pela entrevista.

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Sobre o autor

Paulo SantAnna é Analista de Suporte, especializado em Redes e tecnologia Microsoft e autor de vários artigos na área de informática.


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