Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004 às 02h59

Não seja somente designer!

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Não seria louco a ponto de, no meu primeiro artigo na casa, levantar esse tema tão polêmico. Afinal de contas, é ele que normalmente protagoniza os bate-papos entre programadores e designers. Na realidade, o conselho 'não ser somente designer' é bastante coerente com diversos momentos da criação de um website. Vou explicar isso melhor.

Enquanto um website é encarado como um conjunto de telas bonitas que se interconectam, ele deixa de atender a seu objetivo principal: utilidade. É necessário criar um ambiente que sirva para alguma coisa.

A partir daí caímos em outra discussão: sob que ótica estudamos essa utilidade? Quem estará utilizando esse website?

O conhecimento das 'necessidades e desejos' do usuário é determinante para o sucesso do projeto. Quem estuda o público-alvo é o arquiteto da informação: geralmente profissionais de comunicação ou até mesmo pessoas com perfil lógico. Confesso porém que, em várias situações precisamos pensar como esses "arquitetos virtuais" e projetar um plano conceitual adequado às necessidades do cliente.

Para ilustrar essa necessidade, usarei o exemplo do designer. Ao assumir o projeto de identidade visual de um projeto, esse profissional deve estudar público-alvo e conhecer bem o cliente. Assim, o resultado de seu trabalho será útil e bonito para ambos. Esse estudo parece simples mas não o é. Detalhes da personalidade do cliente são essenciais para a aprovação final. Uma viagem lúdica assumindo diferentes perfis de personagens pode ser bastante útil e interessante para a concepção das tarefas. Depois disso: "mão na massa". E não se esqueça de oferecer "provas" para colegas e amigos. Essa simples prática pode ser ótimo teste que muito contribui para um bom resultado final.

É importante lembrar que o produto é feito para felicidade de clientes e usuários e não para saciar ego de quem o fez. Lembre-se de que seu sucesso profissional virá também do reconhecimento de seu trabalho por outras pessoas.

Observe se você já se encontrou em situações semelhantes:

» "Nesse projeto, [eu] quero fazer um design mais tecnológico..." ;
» "[eu]] Sempre quis fazer um site com fundo preto..."
» "Do próximo projeto não passa! [eu] Vou fazer um site em pixelart*";
» "[eu] Acabei de fazer um curso de flash, meu próximo cliente vai ter um site cheio de animações e sons...";

Sei que é difícil, mas você pode se exercitar para conseguir abrir mão dessas vontades. Repare que as frases acima estão todas em primeira pessoa, tente convertê-las para terceira.

Inverta o raciocínio, identifique o que oferece a experiência mais completa ao usuário/cliente e e somente a partir daí siga em frente. Nunca deixe de compartilhar!

Dicas úteis:

» Enquanto estiver planejando o website tente escutar uma música adequada ao tema, isso pode ajudar a "entrar no clima", filmes e livros também são bem vindos.

» Folheie um banco de imagens sobre o tema. O resultado pode ser uma boa idéia.

» Participe, na medida do possível e da conveniência, do dia a dia do cliente. Ex.: visite sua fábrica, coma em seu restaurante, durma em seu hotel, participe de seus eventos.

» Não economize entrevistas e encontros: dessa forma será possível conhecer um pouco mais do perfil do cliente (lembre-se que nem sempre eles mandam briefings adequados);

» Evite se precipitar na preparação do layout, tente refletir um pouco mais sobre os conceitos antes de começar a desenhar.

» Evite partir direto da idéia para o software de imagem, rascunhe no papel antes. Garanto que vão surgir criticas e detalhes que não estavam previstos e que enriquecerão o projeto.

» Quando pensar em público-alvo, não se esqueça que nem sempre estamos falando de um público somente, podem haver diferentes grupos de usuários com perfis parecidos. Ex.: público primário, secundário e complementar.

» Aprenda a diferenciar o público da empresa/instituição do público de seu website. Ex.: o público do programa Big Brother é bastante diferente do público do website do programa;

» Opte por fazer pesquisas com pessoas que tenham perfil de usuário para avaliar o projeto conceitual e as idéias. Isso pode ser feito nos moldes ideais do marketing ou pode ser adaptado para um modelo mais informal dependendo do porte de seu projeto;

Dê um passo adiante: "não seja somente designer".

Bibliografia complementar: "Não me faça pensar' [ Krug, Steve ] Editora Market Books

* Ex.: "Estou cansado, necessito dormir" & "Estou cansado, desejo dormir no ar condicionado"

1 comentário

 Wesley M Ferreira
24/12/2004 10h24

"A moderação em tudo é boa"

Muito interessante este artigo. Já há algum tempo vinha observando esse fenômeno. Não só os designer, mas os profissionais que trabalham com artes de modo geral, imaginam que para a imagem ficar boa, é necessário mostrar tudo o que sabem fazer, é como se cada trabalho fosse um teste de conhecimento de software, o que é uma grande engano. "A moderação em tudo é boa."

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Sobre o Autor
Hugo Dias é Macromedia Certified Instructor, ministra cursos oficiais Macromedia assim como outros cursos relacionados à arquitetura e projeto de sites. Como líder de projeto e estratégia da sua agência, Meetweb, vem evoluindo a forma de se produzir trabalhos em TI com a metodologia Webflow®.

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