Não seria louco a ponto de, no meu primeiro artigo na casa, levantar esse tema tão polêmico. Afinal de contas, é ele que normalmente protagoniza os bate-papos entre programadores e designers. Na realidade, o conselho 'não ser somente designer' é bastante coerente com diversos momentos da criação de um website. Vou explicar isso melhor.
Enquanto um website é encarado como um conjunto de telas bonitas que se interconectam, ele deixa de atender a seu objetivo principal: utilidade. É necessário criar um ambiente que sirva para alguma coisa.
A partir daí caímos em outra discussão: sob que ótica estudamos essa utilidade? Quem estará utilizando esse website?
O conhecimento das 'necessidades e desejos' do usuário é determinante para o sucesso do projeto. Quem estuda o público-alvo é o arquiteto da informação: geralmente profissionais de comunicação ou até mesmo pessoas com perfil lógico. Confesso porém que, em várias situações precisamos pensar como esses "arquitetos virtuais" e projetar um plano conceitual adequado às necessidades do cliente.
Para ilustrar essa necessidade, usarei o exemplo do designer. Ao assumir o projeto de identidade visual de um projeto, esse profissional deve estudar público-alvo e conhecer bem o cliente. Assim, o resultado de seu trabalho será útil e bonito para ambos. Esse estudo parece simples mas não o é. Detalhes da personalidade do cliente são essenciais para a aprovação final. Uma viagem lúdica assumindo diferentes perfis de personagens pode ser bastante útil e interessante para a concepção das tarefas. Depois disso: "mão na massa". E não se esqueça de oferecer "provas" para colegas e amigos. Essa simples prática pode ser ótimo teste que muito contribui para um bom resultado final.

É importante lembrar que o produto é feito para felicidade de clientes e usuários e não para saciar ego de quem o fez. Lembre-se de que seu sucesso profissional virá também do reconhecimento de seu trabalho por outras pessoas.
Observe se você já se encontrou em situações semelhantes:
» "Nesse projeto, [eu]
quero fazer um design mais tecnológico..." ;
» "[eu]] Sempre quis
fazer um site com fundo preto..."
» "Do próximo projeto não passa!
[eu] Vou fazer um site em pixelart*";
» "[eu] Acabei de fazer
um curso de flash, meu próximo cliente vai ter um site
cheio de animações e sons...";
Sei que é difícil, mas você pode se exercitar para conseguir abrir mão dessas vontades. Repare que as frases acima estão todas em primeira pessoa, tente convertê-las para terceira.
Inverta o raciocínio, identifique o que oferece a experiência mais completa ao usuário/cliente e e somente a partir daí siga em frente. Nunca deixe de compartilhar!
|
Dê um passo adiante: "não seja somente designer".
Bibliografia complementar: "Não me
faça pensar' [ Krug, Steve ] Editora Market Books
* Ex.: "Estou cansado, necessito dormir" & "Estou cansado, desejo dormir no ar condicionado"
Wesley M Ferreira
Muito interessante este artigo. Já há algum tempo vinha observando esse fenômeno. Não só os designer, mas os profissionais que trabalham com artes de modo geral, imaginam que para a imagem ficar boa, é necessário mostrar tudo o que sabem fazer, é como se cada trabalho fosse um teste de conhecimento de software, o que é uma grande engano. "A moderação em tudo é boa."
2001 - iMasters FFPA Informática Ltda - Todos os direitos reservados.