Bem como a HTML, a XML utiliza elementos e
atributos, os quais são indicados nos documentos através das
marcas. Como dissemos, as marcas começam com um < e terminam
com um >. Marcas de finalização incluem um / antes do nome
do elemento; marcas vazias incluem um / antes do sinal de
fechamento >. Por exemplo, o seguinte pedaço de um documento
contém três elementos: dois deles com conteúdo e uma marca
vazia.
A primeira marca abre o elemento FIGURE, o
qual possui o atributo DESCRIPTION ajustado para “Harvey”,
e contém uma imagem vazia como outro elemento e o elemento
legenda com seu conteúdo. As marcas que fecham os elementos
CAPTION e FIGURE produzem uma estrutura bem amarrada. Este
tipo de estrutura torna fácil para os programas de computador
a manipulação e a armazenagem das informações em documentos
com essa estruturação e, ao contrário dos navegadores que
utilizam HTML, que são suscetíveis a marcações mal estruturadas,
os navegadores XML devem produzir mensagens de erro para este
tipo de ocorrência. Deste modo, esta característica proporciona
ao autor de um documento XML uma muito maior confiabilidade
no sentido de que seu trabalho será corretamente interpretado,
independente de quais sejam os navegadores que estarão interpretando
o documento.
Em adição ao fornecimento de sintaxe para a
marcação de um documento, a XML provê sintaxe para especificar
a estrutura de um documento. Voltamos aos DTDs, que, em resumo,
definem conjuntos de regras através das quais os navegadores
podem validar os documentos. No entanto, esta validação não
implica que os conteúdos do documento estejam corretos, mas
isto significa que todos os elementos do documento obedecem
à estrutura imposta pelo DTD. Vamos analisar o seguinte fragmento
extraído de um documento qualquer, que ilustra bem a situação
acima.
O elemento FIGURE deve conter IMAGE e CAPTION
e, ao mesmo tempo, deve ter um atributo de descrição. O elemento
IMAGE deve estar vazio e o elemento CAPTION deve possuir um
texto, instruções de processamento e quaisquer outros textos
XML à exceção de outros elementos. A utilização dos DTDs para
a sintaxe dos documentos permite que sejam criadas inúmeras
opções para se declarar elementos e atributos e permite ao
programador a informação do DTD como referência.
A XML permite o uso de documentos chamados
“well-formed documents” os quais usam seu próprio
conjunto de regras para a sintaxe do documento, sem especificar
um DTD. Documento que por sua vez contém um DTD e que obedecem
as suas regras são chamados de “válidos”. Assim,
aplicações que necessitam processar grandes quantidades de
informação ou que não suportam processamento adicional gerado
pelo processo de validação, podem aderir aos “well-formed
documents”.
Na prática, no entanto, a XML deverá se esconder
sobre seu ferramental para a maioria dos usuários. As pessoas
não necessitarão criar seus próprios DTDs; uma vez que um
DTD padrão é criado, aderir a ele é o que será preciso, e
quando a estrutura necessitar de implementações, basta que
sejam feitas modificações.
Assim, podemos dividir as principais características
da XML do modo a seguir.
A linguagem XML provê tanto a programadores
como autores de documentos um ambiente muito mais amigável
do ponto de vista da computação. O rígido conjunto de regras
da XML ajuda a tornar documentos mais fáceis de serem lidos
quer seja por humanos, quer seja por máquinas. A sintaxe de
documentos em XML contém um relativamente pequeno conjunto
de regras, possibilitando aos desenvolvedores uma simples
iniciação na linguagem. DTDs podem ser desenvolvidos através
de processos padronizados, impostos por experts, ou através
da experimentação, baseada em estruturas de documentos que
parecem funcionar bem.
Um documento em XML é construído sobre um conjunto
principal de estruturas amarradas. Enquanto estas estruturas
podem crescer em graus de complexidade como camadas, e camadas
de detalhamento podem ser adicionadas, os mecanismos por detrás
destas estruturas requerem muito poucos esforços de implementação,
sejam por parte de autores ou por parte de desenvolvedores.
Extensibilidade
A linguagem XML é extensível de dois modos.
Primeiro, ela permite aos desenvolvedores a criação de seus
próprios DTDs, efetivamente criando conjuntos marcas “extensíveis”
que podem ser usadas para múltiplas aplicações. Segundo, a
XML propriamente dita está sendo estendida com uma série de
padrões adicionais que adicionam propriedades de estilo, linkagem
e referenciação ao conjunto básico de capacidades desta linguagem.
A criação de DTDs próprios é o que os criadores
da XML tinham como idéia principal ao chamarem-na de “Linguagem
de Marcação Extensível”. A XML é, portanto, uma meta-linguagem,
um conjunto de regras que pode ser utilizado para a criação
de conjuntos de regras para documentos. De certo modo, não
há, na verdade, um documento XML; todos os documentos que
utilizam a sintaxe XML estão é utilizando aplicações da XML,
com conjuntos de marcas escolhidas pelos seus criadores para
aquele documento em particular. A facilidade proporcionada
pela XML para a criação de DTDs dá aos construtores-padrão
um conjunto de ferramentas para especificar como as estruturas
de um documento devem aparecer neste documento, tornando mais
fácil a definição deste conjunto de estruturas. Estas estruturas
podem ser usadas como ferramentas da XML para a criação, interpretação
e processamento, e usadas pelas aplicações como um guia para
os dados que elas devem aceitar.
Interoperabilidade
A XML pode ser utilizada sobre uma grande variedade
de plataformas e interpretada por uma grande variedade de
ferramentas. Devido ao comportamento consistente das estruturas
de documentos, os navegadores que as interpretam podem ser
desenvolvidos a um relativamente baixo custo em quaisquer
de um grande número de linguagens para este fim. A XML suporta
um grande número de padrões para a codificação de caracteres,
permitindo que ela possa ser usada em um grande número de
diferentes ambientes. A XML complementa o Java muito bem,
e um considerável número de desenvolvimentos para a XML foi
feito através de Java.
Abertura
Embora tenham havido algumas dúvidas a respeito
do processo utilizado para a criação da XML, o processo padrão
é completamente aberto e está total e gratuitamente disponível
na Web. Os membros do W3C tiveram pronto acesso ao processo
padrão, mas uma vez que este foi completado, seus resultados
se tornaram públicos. Mais, todos os avanços obtidos pelo
XML Working Group do W3C costumam ser levados a público, possibilitando
o acompanhamento de seus progressos.
Os documentos em XML são consideravelmente
mais abertos que suas contrapartes binárias. Qualquer um é
capaz de interpretar um documento XML do tipo “well-formed”,
e sua validação requer apenas que seja providenciado um DTD
adequado. Enquanto as companhias podem criar um documento
XML que se comporte de maneira específica no que tange as
suas aplicações, os dados nele incluídos estão disponíveis
para quaisquer outras aplicações. Os desenvolvedores podem
criar DTDs obscuros ou mesmo criptografar seus dados através
de uma maneira exclusiva, mas assim estarão lançando mão de
um dos maiores benefícios da utilização da XML. Esta linguagem
não barra a criação de formatos exclusivos, mas a sua abertura
é uma de suas principais vantagens. Os desenvolvedores de
aplicações podem dividir tarefas entre várias ferramentas,
possivelmente até de diferentes concorrentes, permitindo assim
que eles operem no mesmo conjunto de estruturação de dados.
Experiência
O desenvolvimento de aplicações de sucesso
para a XML vão requerer um conhecimento na modelagem de um
novo conjunto de ferramental. As especificações iniciais da
XML foram criadas em grande parte pelos integrantes da chamada
comunidade SGML e, deste modo, já se pode dizer que existe
um grande grupo de “experts” em XML. Mais, as companhias
que trabalham com SGML têm procurado adaptar, através da simplificação,
seu ferramental, permitindo seu uso para a XML.
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