Segunda-feira, 09 de julho de 2001 às 01h00

As principais características do XML

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Bem como a HTML, a XML utiliza elementos e atributos, os quais são indicados nos documentos através das marcas. Como dissemos, as marcas começam com um < e terminam com um >. Marcas de finalização incluem um / antes do nome do elemento; marcas vazias incluem um / antes do sinal de fechamento >. Por exemplo, o seguinte pedaço de um documento contém três elementos: dois deles com conteúdo e uma marca vazia.

This is a picture of my invisible friend!

A primeira marca abre o elemento FIGURE, o qual possui o atributo DESCRIPTION ajustado para “Harvey”, e contém uma imagem vazia como outro elemento e o elemento legenda com seu conteúdo. As marcas que fecham os elementos CAPTION e FIGURE produzem uma estrutura bem amarrada. Este tipo de estrutura torna fácil para os programas de computador a manipulação e a armazenagem das informações em documentos com essa estruturação e, ao contrário dos navegadores que utilizam HTML, que são suscetíveis a marcações mal estruturadas, os navegadores XML devem produzir mensagens de erro para este tipo de ocorrência. Deste modo, esta característica proporciona ao autor de um documento XML uma muito maior confiabilidade no sentido de que seu trabalho será corretamente interpretado, independente de quais sejam os navegadores que estarão interpretando o documento.

Em adição ao fornecimento de sintaxe para a marcação de um documento, a XML provê sintaxe para especificar a estrutura de um documento. Voltamos aos DTDs, que, em resumo, definem conjuntos de regras através das quais os navegadores podem validar os documentos. No entanto, esta validação não implica que os conteúdos do documento estejam corretos, mas isto significa que todos os elementos do documento obedecem à estrutura imposta pelo DTD. Vamos analisar o seguinte fragmento extraído de um documento qualquer, que ilustra bem a situação acima.<




O elemento FIGURE deve conter IMAGE e CAPTION e, ao mesmo tempo, deve ter um atributo de descrição. O elemento IMAGE deve estar vazio e o elemento CAPTION deve possuir um texto, instruções de processamento e quaisquer outros textos XML à exceção de outros elementos. A utilização dos DTDs para a sintaxe dos documentos permite que sejam criadas inúmeras opções para se declarar elementos e atributos e permite ao programador a informação do DTD como referência.

A XML permite o uso de documentos chamados “well-formed documents” os quais usam seu próprio conjunto de regras para a sintaxe do documento, sem especificar um DTD. Documento que por sua vez contém um DTD e que obedecem as suas regras são chamados de “válidos”. Assim, aplicações que necessitam processar grandes quantidades de informação ou que não suportam processamento adicional gerado pelo processo de validação, podem aderir aos “well-formed documents”.

Na prática, no entanto, a XML deverá se esconder sobre seu ferramental para a maioria dos usuários. As pessoas não necessitarão criar seus próprios DTDs; uma vez que um DTD padrão é criado, aderir a ele é o que será preciso, e quando a estrutura necessitar de implementações, basta que sejam feitas modificações.

Assim, podemos dividir as principais características da XML do modo a seguir.

Simplicidade

A linguagem XML provê tanto a programadores como autores de documentos um ambiente muito mais amigável do ponto de vista da computação. O rígido conjunto de regras da XML ajuda a tornar documentos mais fáceis de serem lidos quer seja por humanos, quer seja por máquinas. A sintaxe de documentos em XML contém um relativamente pequeno conjunto de regras, possibilitando aos desenvolvedores uma simples iniciação na linguagem. DTDs podem ser desenvolvidos através de processos padronizados, impostos por experts, ou através da experimentação, baseada em estruturas de documentos que parecem funcionar bem.

Um documento em XML é construído sobre um conjunto principal de estruturas amarradas. Enquanto estas estruturas podem crescer em graus de complexidade como camadas, e camadas de detalhamento podem ser adicionadas, os mecanismos por detrás destas estruturas requerem muito poucos esforços de implementação, sejam por parte de autores ou por parte de desenvolvedores.

Extensibilidade

A linguagem XML é extensível de dois modos. Primeiro, ela permite aos desenvolvedores a criação de seus próprios DTDs, efetivamente criando conjuntos marcas “extensíveis” que podem ser usadas para múltiplas aplicações. Segundo, a XML propriamente dita está sendo estendida com uma série de padrões adicionais que adicionam propriedades de estilo, linkagem e referenciação ao conjunto básico de capacidades desta linguagem.

A criação de DTDs próprios é o que os criadores da XML tinham como idéia principal ao chamarem-na de “Linguagem de Marcação Extensível”. A XML é, portanto, uma meta-linguagem, um conjunto de regras que pode ser utilizado para a criação de conjuntos de regras para documentos. De certo modo, não há, na verdade, um documento XML; todos os documentos que utilizam a sintaxe XML estão é utilizando aplicações da XML, com conjuntos de marcas escolhidas pelos seus criadores para aquele documento em particular. A facilidade proporcionada pela XML para a criação de DTDs dá aos construtores-padrão um conjunto de ferramentas para especificar como as estruturas de um documento devem aparecer neste documento, tornando mais fácil a definição deste conjunto de estruturas. Estas estruturas podem ser usadas como ferramentas da XML para a criação, interpretação e processamento, e usadas pelas aplicações como um guia para os dados que elas devem aceitar.

Interoperabilidade

A XML pode ser utilizada sobre uma grande variedade de plataformas e interpretada por uma grande variedade de ferramentas. Devido ao comportamento consistente das estruturas de documentos, os navegadores que as interpretam podem ser desenvolvidos a um relativamente baixo custo em quaisquer de um grande número de linguagens para este fim. A XML suporta um grande número de padrões para a codificação de caracteres, permitindo que ela possa ser usada em um grande número de diferentes ambientes. A XML complementa o Java muito bem, e um considerável número de desenvolvimentos para a XML foi feito através de Java.

Abertura

Embora tenham havido algumas dúvidas a respeito do processo utilizado para a criação da XML, o processo padrão é completamente aberto e está total e gratuitamente disponível na Web. Os membros do W3C tiveram pronto acesso ao processo padrão, mas uma vez que este foi completado, seus resultados se tornaram públicos. Mais, todos os avanços obtidos pelo XML Working Group do W3C costumam ser levados a público, possibilitando o acompanhamento de seus progressos.

Os documentos em XML são consideravelmente mais abertos que suas contrapartes binárias. Qualquer um é capaz de interpretar um documento XML do tipo “well-formed”, e sua validação requer apenas que seja providenciado um DTD adequado. Enquanto as companhias podem criar um documento XML que se comporte de maneira específica no que tange as suas aplicações, os dados nele incluídos estão disponíveis para quaisquer outras aplicações. Os desenvolvedores podem criar DTDs obscuros ou mesmo criptografar seus dados através de uma maneira exclusiva, mas assim estarão lançando mão de um dos maiores benefícios da utilização da XML. Esta linguagem não barra a criação de formatos exclusivos, mas a sua abertura é uma de suas principais vantagens. Os desenvolvedores de aplicações podem dividir tarefas entre várias ferramentas, possivelmente até de diferentes concorrentes, permitindo assim que eles operem no mesmo conjunto de estruturação de dados.

Experiência

O desenvolvimento de aplicações de sucesso para a XML vão requerer um conhecimento na modelagem de um novo conjunto de ferramental. As especificações iniciais da XML foram criadas em grande parte pelos integrantes da chamada comunidade SGML e, deste modo, já se pode dizer que existe um grande grupo de “experts” em XML. Mais, as companhias que trabalham com SGML têm procurado adaptar, através da simplificação, seu ferramental, permitindo seu uso para a XML.

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Sobre o Autor
Fábio Cavalcante é Consultor, trabalha com soluções web desde 1999, possui 3 formações em Gerência de TI e atua desde a análise ao desenvolvimento de projetos interativos. É atual chefe da Redação iMasters.

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