Sexta-feira, 06 de novembro de 2009 às 09h00

Cloud Computing: um céu limpo ou ainda nublado?

A disponibilidade crescente de acessos em banda larga à Internet, em conjunto com a necessidade cada vez mais frequente de mobilidade, fez com que alguns paradigmas fossem quebrados. Um destes paradigmas é a necessidade de transportarmos pessoalmente as informações que utilizamos no nosso dia-a-dia.

A nova arquitetura tem como grande vantagem um uso mais racional dos recursos computacionais com a possibilidade de consolidação de hardware e acessos fazendo com que eles possam ser aproveitados ao máximo.

Outra vantagem da nuvem computacional é a escalabilidade. Se você precisa de mais processamento, você pode fazer um upgrade imediato de capacidade, sem precisar trocar componentes ou até equipamentos inteiros. O mesmo vale para armazenamento ou até mesmo upgrades de software.

Mas o céu não apresenta apenas nuvens claras e já podemos ver algumas tempestades no horizonte. No uso de nuvens privadas, o cenário e preocupações não mudam muito em relação aos atuais datacenters.

A situação aparece completamente diferente quando passamos a utilizar nuvens públicas, oferecidas como prestação de serviços por terceiros. Neste ambiente, uma das primeiras questões a serem tratadas é a da segurança das informações. Como não temos mais o controle sobre o local onde as informações estão armazenadas, algumas perguntas ficam no ar. Como garantir que a confidencialidade no armazenamento e controle de acesso são adequados? A disponibilidade atenderá aos requisitos do negócio? No caso de falha, existem planos de contingência adequados?

As respostas a estas perguntas apontam para a escolha dos provedores de acesso (canais de comunicação com a Internet) e a empresa responsável pela nuvem (recursos computacionais). Os contratos devem prever como estas informações serão armazenadas, protegidas e acessadas. Avaliação e certificação da infra-estrutura física e lógica dos prestadores de serviço estarão em alta como um dos requisitos para a contratação.

Mais do que nunca os SLAs (Service Level Agreement) devem ser estabelecidos cuidadosamente e nortearão contratos de prestação de serviço. Não adianta o provedor da nuvem oferecer uma disponibilidade de 99,9% do serviço se o provedor de acesso fica longe deste número.

Falando em aplicativos, a maioria deles não está preparada para o funcionamento na nuvem e o licenciamento ainda precisa ser adaptado ao ambiente do Cloud Computing. Alguns fornecedores exigem o pagamento por processador ou de 100% do valor do software mesmo quando o uso se limita a 25% ou 30 % das funcionalidades disponíveis. Isto pode inviabilizar a economia proporcionada pela nova solução.

A computação em nuvem muda o papel da Internet para usuários e empresas. O poder de processamento local e os sistemas operacionais passam a ter pouca importância em relação a questões como disponibilidade e confidencialidade. Esta é uma tecnologia que veio para ficar, mas ainda precisamos de melhores controles para garantir que possamos desviar das nuvens carregadas de tempestades que temos pela frente.

Abraços.

1 comentário

 Dennes Menezes
07/11/2009 04h36

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Sobre o Autor
Gilberto Sudré é consultor em segurança da informação, instrutor da Academia Cisco, professor de cursos de graduação da Faesa e Ifes e pós-graduação da FGV e UCL (ES). Articulista de tecnologia do Jornal A Gazeta, TV Gazeta e comentarista da Rádio CBN-Vitória. Membro do comitê técnico CB21/CE27 da ABNT sobre Segurança da Informação. Co-Autor do livro “Internet: O Encontro de 2 Mundos” e autor do “Antenado na Tecnologia”.

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