Como disse Nicholas Carr há dois anos, em um congresso sobre gestão de tecnologia: "CIO: estão em sua mãos as rédeas para conduzir os negócios da empresa".
Na época eu fiquei me perguntando o porquê do "conduzir os negócios da empresa". Afinal, ao meu ver, o papel de um CIO era gerenciar a equipe de tecnologia de uma determinada empresa ou grupo. Hoje eu tenho outra visão sobre essa frase.
Algum tempo atrás o retrato que se tinha desse profissional mostrava alguém muito mais técnico e operacional do que estratégico. Se foi a dependência da TI para com as empresas ou o impacto dessa na sociedade eu já não saberei explicar, mas algo provocou uma ruptura na descrição desse cargo, sendo que hoje chegamos (sociedade) ao ponto de não admitir mais um líder de TI que não procure se envolver com os processos e negócios da corporação.
Mas será que isso mudou a essência de um líder de TI? Eu acredito que não. A missão está em dar informações qualificadas e adequadas no momento certo, pois a informação é a matéria-prima para a decisão e, acredito eu que uma empresa vive de decisões.
Contudo não se pode negar a evolução pela qual passou este perfil de profissional. Há algum tempo a característica técnica era mais importante para as empresas, que utilizavam a TI para "manter as coisas rodando". Já hoje, o I do CIO (Chief Information Officer) se tornou mais importante do que uma característica técnica. Ele precisa ser um Gestor da Informação, pois o caminhar dos negócios da empresa depende da qualidade dessas.
Ao meu ver essa guinada reflete os acontecimentos mundiais. A maior
preocupação com segurança, por exemplo, emergiu depois de grandes
ataques terroristas ao redor do mundo. O "Apagão" da energia elétrica
fez com que as pessoas se acostumassem a viver com menos custo e cortar
os gastos de energia, que posteriormente refletiu para os Datacenters e
assim foi com outras tendências.
Atualmente estamos em um momento turbulento para a TI devido à recente
crise mundial e novas tecnologias sendo apresentadas de forma tão
rápida e confusa, como a Cloud Computing (computação em nuvem) por
exemplo.
Quando eu comecei a me "aprofundar" nesse universo que é a TI, a idade
mínima de um CIO era de 40 anos, pois o mesmo tinha que estar muito
ligado a processos operacionais e técnicos adquiridos ao longo dos
anos. Hoje, com uma nova geração tecnológica ( de problemas e
soluções), o CIO tem de ser mais flexível e dinâmico e, dessa forma já
encontramos empresas com profissionais com cerca de 25 anos.
Em uma empresa que trabalhei como coordenador de TI, minha equipe era
especificamente focada em "soluções e melhorias". Éramos responsáveis
por, além de manter o negócio funcionando, estudar o impacto de novas
tecnologias para melhorar a produtividade do fluxo de operações e
manter cada vez mais confiável a informação e ser repassada.
Isso tem se tornado muito comum em diversas empresas, onde
profissionais específicos ou equipes inteiras são responsáveis por
buscar soluções cada vez melhores para os processos da empresa, a fim
de tornar o negócio cada vez mais lucrativo e viável.
Antes o CIO e a própria TI eram responsáveis por manter os "sistemas
sempre atualizados". Nos tempos atuais a TI tem como objetivo, além de
manter o negócio funcionando, buscar soluções cada vez melhores em
telefonia, energia, gestão e automatização de processos, segurança e
confiabilidade dos dados e, ainda, manter o "sistema atualizado", mas
atualizado com as tendências globais, atualizado com outros planos de
negócios semelhantes, atualizado de forma que não se precise pensar
duas vezes antes de confiar em seus dados, atualizado como a TI deve
ser, freqüentemente.
Hoje eu realmente vejo a frase de Nicholas Carr com outros olhos. Hoje
eu entendo o porquê da expressão "conduzir os negócios da empresa". A TI é responsável por mapear os diferentes caminhos a serem tomados
pelos negócios e apresentar a melhor opção para que o mesmo prossiga,
seja ele o caminho mais curto ou o mais seguro.
Dennes Menezes
Muito boa a abordagem, visão linear do CIO e o futuro certamente não será diferente do apresentado.
Thiago França
Se cada CIO conseguir conduzir os negócios da empresa com tamanha dedicação, não teremos dores de cabeça quando o assunto se tratar de TI.
Abraços.
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