Sexta-feira, 06 de novembro de 2009 às 10h30

Passado, presente e futuro do CIO

Como disse Nicholas Carr há dois anos, em um congresso sobre gestão de tecnologia: "CIO: estão em sua mãos as rédeas para conduzir os negócios da empresa".

Na época eu fiquei me perguntando o porquê do "conduzir os negócios da empresa". Afinal, ao meu ver, o papel de um CIO era gerenciar a equipe de tecnologia de uma determinada empresa ou grupo. Hoje eu tenho outra visão sobre essa frase.

Algum tempo atrás o retrato que se tinha desse profissional mostrava alguém muito mais técnico e operacional do que estratégico. Se foi a dependência da TI para com as empresas ou o impacto dessa na sociedade eu já não saberei explicar, mas algo provocou uma ruptura na descrição desse cargo, sendo que hoje chegamos (sociedade) ao ponto de não admitir mais um líder de TI que não procure se envolver com os processos e negócios da corporação.

Mas será que isso mudou a essência de um líder de TI? Eu acredito que não. A missão está em dar informações qualificadas e adequadas no momento certo, pois a informação é a matéria-prima para a decisão e, acredito eu que uma empresa vive de decisões.

Contudo não se pode negar a evolução pela qual passou este perfil de profissional. Há algum tempo a característica técnica era mais importante para as empresas, que utilizavam a TI para "manter as coisas rodando". Já hoje, o I do CIO (Chief Information Officer) se tornou mais importante do que uma característica técnica. Ele precisa ser um Gestor da Informação, pois o caminhar dos negócios da empresa depende da qualidade dessas.

Ao meu ver essa guinada reflete os acontecimentos mundiais. A maior preocupação com segurança, por exemplo, emergiu depois de grandes ataques terroristas ao redor do mundo. O "Apagão" da energia elétrica fez com que as pessoas se acostumassem a viver com menos custo e cortar os gastos de energia, que posteriormente refletiu para os Datacenters e assim foi com outras tendências.

Atualmente estamos em um momento turbulento para a TI devido à recente crise mundial e novas tecnologias sendo apresentadas de forma tão rápida e confusa, como a Cloud Computing (computação em nuvem) por exemplo.

Quando eu comecei a me "aprofundar" nesse universo que é a TI, a idade mínima de um CIO era de 40 anos, pois o mesmo tinha que estar muito ligado a processos operacionais e técnicos adquiridos ao longo dos anos. Hoje, com uma nova geração tecnológica ( de problemas e soluções), o CIO tem de ser mais flexível e dinâmico e, dessa forma já encontramos empresas com profissionais com cerca de 25 anos.

Em uma empresa que trabalhei como coordenador de TI, minha equipe era especificamente focada em "soluções e melhorias". Éramos responsáveis por, além de manter o negócio funcionando, estudar o impacto de novas tecnologias para melhorar a produtividade do fluxo de operações e manter cada vez mais confiável a informação e ser repassada.

Isso tem se tornado muito comum em diversas empresas, onde profissionais específicos ou equipes inteiras são responsáveis por buscar soluções cada vez melhores para os processos da empresa, a fim de tornar o negócio cada vez mais lucrativo e viável.

Antes o CIO e a própria TI eram responsáveis por manter os "sistemas sempre atualizados". Nos tempos atuais a TI tem como objetivo, além de manter o negócio funcionando, buscar soluções cada vez melhores em telefonia, energia, gestão e automatização de processos, segurança e confiabilidade dos dados e, ainda, manter o "sistema atualizado", mas atualizado com as tendências globais, atualizado com outros planos de negócios semelhantes, atualizado de forma que não se precise pensar duas vezes antes de confiar em seus dados, atualizado como a TI deve ser, freqüentemente.

Hoje eu realmente vejo a frase de Nicholas Carr com outros olhos. Hoje eu entendo o porquê da expressão "conduzir os negócios da empresa". A TI é responsável por mapear os diferentes caminhos a serem tomados pelos negócios e apresentar a melhor opção para que o mesmo prossiga, seja ele o caminho mais curto ou o mais seguro.

2 comentários

 Dennes Menezes
07/11/2009 14h42

Parabéns.

Muito boa a abordagem, visão linear do CIO e o futuro certamente não será diferente do apresentado.

 Thiago França
09/11/2009 07h05

Se cada CIO conseguir conduzir os negócios da empresa com tamanha dedicação, não teremos dores de cabeça quando o assunto se tratar de TI.

Abraços.

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Sobre o Autor
Thiago França é especialista em gestão de processos e melhorias contínuas e bacharel em Ciência da Computação. Possui certificações ITIL, PMI, Microsoft, IBM, entre outras. Já trabalhou com diversos projetos, entre eles implantação de ERPs TOTVS, estruturação de TELECOM, remapeamento de processos entre outros. Hoje é responsável pelo depto de TI de uma conhecida indústria química.

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