Sexta-feira, 19 de junho de 2009 às 11h00

Hiperinflação de conteúdo: e se a gente não aguentar mais?

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Imagine que não aguentamos mais conviver com tanto conteúdo, que nossa atenção ficou tão reduzida que não conseguimos mais nos concentrar em nada com profundidade, que os estímulos nos interrompendo a todo instante em tantas mídias diferentes eram tantos que ... não conseguimos ler os jornais, acompanhar os twitts, ver os filmes na TV, não respondemos e-mails, não olhamos nossos blogs e portais favoritos, não acompanhamos as séries, não damos mais conta de tanta informação... e, por fim, não resistimos à cultura contemporânea do excesso.

Se esse cenário existisse, a primeira providência seria banir o direito da leitura. Sim, porque afinal de contas, ler faz mal. Ou como diz o nosso caríssimo presidente Lula, "ler dá azia". Claro que tudo isso é uma brincadeira, mas serve pra gente pensar mais um pouco sobre a Era do Excesso de informação, que já esteve nessa coluna algumas vezes.

O filme Fahrenheit 451 faz uma leitura bem legal e mostra exatamente esse cenário em que a leitura é proibida. Ele foi adaptado do livro de Ray Bradbury e conta a história de um tempo no futuro em que o trabalho dos bombeiros era destruir livros. As pessoas "deduram" as outras e os bombeiros vão até as casas, procuram os livros proibidos, juntam tudo e depois incendeiam. Em vez de apagar, os "firemen" acendem o fogo, já é bem curioso. O filme tem esse nome porque é essa a temperatura em que o papel queima e embora seja antigo, tem um roteiro bem inteligente. É engraçado ver a revista/ jornal que mais parece um quadrinho, mas sem nenhuma letra, aliás, não há inscrição nenhuma em todo o filme, a não ser nos livros proibidos.

Outra passagem muito legal é a do comandante dos bombeiros explicando para o operador de lança-chamas porque é que os livros são perigosos para a mente humana e como eles nos tornam diferentes um dos outros. Para efeito de análise, podemos aplicar esse conceito dele para as outras mídias e conteúdos também: como nos diferenciamos por eles?

Eu preparei uma pequena edição de quatro minutos. Na primeira parte há o ritual de queimar livros e na segunda, o discurso do comandante, veja:

Fahrenheit 451

Então, o que achou? Se quiser saber mais sobre cultura do excesso, leia também esse artigo no blog do Encontro de 2 Mundos.

Up the Webwriters!

1 comentário

 Raphael Figa
30/06/2009 08h20

Pequeno comentário...

O titulo encaixou pereito para o artigo, simplesmente pelo fato em que uma pequena inflação de conteudo nós já vivemos, quem já não recebeu convites para participar de dezenas de redes sociais, foruns e outros muitos mais, além dos portais, do blogs bem escritos, o próprio twitter é muita conteúdo de uma só vez.
Se parar para ler e acompanhar o Twitter, Responder os e-mails de bate pronto, conversar no MSN e Skype, e acompanhar foruns, portais e blogs favoritos, mesmo com um RSS ou Delicious você praticamente torna-se uma esponja de conteúdo.
E dentro de tanto conteúdo muitas vezes torna-se dificil escolher o que ler, será que realmente é verdade? Será que aquela pessoa esta realmente certa? O maior perigo são fontes de informação não seguras, porem eficientes, claro que todos merecemos rir e se divertir um pouco mas com moderação e saber que algumas coisas são apenas bricandeiras, cito um exemplo meu como instrutor de informática onde pedi um pequeno trabalho a um aluno particular ele pesquisou (google.com.br), formatou tudo muito bonito e me entregou. O problema foi aonde ele pesquisou, as tais fontes não seguras, ele não sei dizer se foi por mera distração mas retirou conteudo da Desciclopedia, que usa o software livre Media Wiki que tem um formato e aparencia identico ao da Wikipedia, com isso apenas vamos dizer que ele aprendeu errado. O neste caso é eliminar da mente de um aluno o que ele fixou tão bem por meio de um trabalho.
Bem este "pequeno comentário" deu idéia para escrever um pequeno artigo para meu blog, não aprendo mais conteudo...

Sigam-me @raphaelfiga

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Sobre o Autor
Ana Amélia Erthal é jornalista e mestre pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro na linha de Novas Tecnologias em Comunicação. Coordenou diversos projetos digitais atuando na área de planejamento e conteúdo como o Portal Mundo Oi, SulAmérica, PUC-RJ, Senac-RJ, HSBC, Bradesco e CBTU. Atualmente ministra cursos para a formação de webwriters, é professora de cibercultura e conteúdo digital, participa das pesquisas do Grupo de Sensorialidades da UERJ e é Executiva de Planejamento da Mídiaweb Agência Interativa.

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