Sexta-feira, 24 de abril de 2009 às 11h15

Geração Navio Vs. Geração Submarino

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Está cada vez mais comum encontrar pessoas que falam muito bem sobre generalidades. Elas têm conhecimento sobre todos os assuntos do dia, desde a queda da bolsa de valores, passando pelas mortes ocasionadas no trânsito e até quanto custa uma viagem de turismo ao espaço. A internet, uma verdadeira biblioteca virtual, traz as noticias em tempo real, deixando bem informado qualquer cidadão durante todo o dia.
 
Acesso a informação não é mais privilégio de ninguém. Pobre, rico, criança, idoso, homem, mulher, latino, europeu, estamos todos a um click das notícias, entretenimento, jogos e o próprio trabalho.  Destaque para a geração digital.
 
Ela é composta por jovens de até 17 anos, onde a internet é a principal via para suas pesquisas, relacionamentos, comunicação, estudos, namoros, partilhas e entretenimento.  Cedo, pela manhã, já vasculharam a rede, responderam emails, verificaram seus orkuts, assistiram ao ultimo vídeo do Youtube, fizeram uma rápida busca no Google e se inscreveram no torneio mundial de matemática à distancia. Tudo que acessam é de maneira rápida, onde as chamadas são mais importantes que o conteúdo. É uma geração que tem uma inegável visão de 360º da superfície. É o que chamo de geração navio!
 
Quem não faz parte desta geração, até os 17 anos pesquisou pela Barsa, se comunicou por cartas, leu o jornal da banca, assistiu a filmes pela TV e participou de torneios presenciais e brincou de carrinho ou boneca. Alguns, mais afortunados, tiveram a oportunidade de trabalhar com a planilha Lótus 123. Lia-se todo o texto, até o fim. Transcrevia-se à mão a pesquisa para um caderno, recortavam-se artigos de jornais e revistas com a responsabilidade de debatê-los em sala de aula. O acesso a informação era restrito, mas o conhecimento do contexto era maior. Esses são parte da geração que tem uma inegável visão de profundidade. É o que chamo de geração submarino!
 
E daí? Você deve estar pensando... E daí que, a geração digital, está começando sua inserção no mercado de trabalho. Porém, são os profissionais da geração "profundidade" que contratam. Uma gerente de RH me confidenciou que durante as entrevistas, uma pessoa da geração digital discorre com facilidade sobre os acontecimentos do mundo inteiro. São versáteis, rápidos e decididos sobre o que querem.
 
Porém, quando confrontados com perguntas sobre o contexto dos acontecimentos, fazem cara de desentendidos ou dão respostas vagas sobre os assuntos. Essa gerente disse ainda que eles têm dificuldade para analisar as informações e sofrem com a necessidade de ter que iniciar em uma função que não esteja à altura deles.
 
Diante de tudo isso, acredito que no futuro, estas duas gerações entrarão em conflito no ambiente de trabalho. Por um lado, a geração "submarino". Ela, no comando das empresas, exigindo analise detalhada do contexto para tomada de decisões na empresa. E, por outro lado, a geração "navio", impaciente e acostumada a respostas na velocidade do Google, exigindo objetividade da liderança das organizações.
 
Mas um fato novo está acontecendo a despeito de tudo isso. As empresas estão chamando de volta muitos daqueles que foram considerados descartáveis: Os mais velhos! Talvez a resposta não esteja na profundidade ou na superfície, mas na sabedoria. A sabedoria é a visão de cima.
 
E daí? Você é submarino ou navio?

2 comentários

 Carolina Linhares
06/10/2009 01h05

Comentário

Li esse artigo semana passada em meu MBA, e resolvi registrar aqui meus comentários. Considero a minha geração como a transição entre a geração submarino e a geração navio (tenho 23 anos), e não me enquadro completamente “submarino” nem “navio”. Quando iniciei meus estudos pesquisava em enciclopédias, apresentava trabalhos em cartolina, tirava muito “Xerox”, sem deixar de falar do mimeógrafo. Ao ingressar na faculdade tive uma ruptura passando a adequar meus sistemas de pesquisa e apresentação de trabalhos para mais modernos e atuais. E confesso, gostei mais. A velocidade nas informações, o contato simultâneo com o mundo, e outras descobertas me fizeram então mais navio. A possibilidade de trocar de programa no computador com duas teclas o “Alt Tab”, exemplifica um pouco meu perfil e dos demais colegas de geração. Queremos retorno imediato, controle da situação, e multiplicar o tempo. Ao entrar no mercado de trabalho, me deparei com a geração submarino, antes só conhecida com os contatos com os pais, familiares e antigos professores, tidos como “chatos”, “sistemáticos” e “lentos”. Vi então que a velocidade no trabalho descoberta no início da faculdade nem sempre me proporcionava bons resultados. E daí, aprendi uma palavra nunca antes ouvida: o retrabalho. Talvez uma palavra a ser muito ouvida pelos “navios”. Considero relevante a capacidade de síntese adquirida pelo meu lado “navio”, mas se não bem aplicada pode levar o profissional além de superficial, um chato da categoria finalizador de sentenças. Por outro lado, com relação a ser “submarino”, pode levar a empresa a determinados erros por se prenderem a detalhes superficiais, e não incorporarem um pouco da rapidez na tomada de decisão dos navios. Por isso, considero que o profissional de sucesso, independente da geração ou tendência precisa mesclar um pouco das características. Avaliar o contexto, ter referenciais, visão sistêmica, capacidade de adaptação e senso de prioridade são pontos fundamentais para sobrevivência e sucesso nas organizações.
Hoje a informação está à disposição de todos, mas são poucos aqueles que sabem usá-la a favor do desenvolvimento do conhecimento. Portanto, como bem define o autor, a sabedoria é o melhor dos lugares nesse oceano. E cada um, descobrirá seu ponto de equilíbrio individual, que não é uma regra para toda uma geração. (carolynhares@yahoo.com.br)

 Wesley Verissimo
06/10/2009 10h11

WESLEY WANDERSON

Realmente não dá pra dizer com toda a certeza, o que está acontecendo, o que se sabe, é que ninguem é descartavel, neste mundo dos negocios, seja ele navio, ou submarino como disse o texto acima, cada um tenho o seu valor, e sua base de conhecimento.Eu por exemplo entendo de vários setores, e tenho bastante facilidade em aprender qualquer coisa, outros tem muita dificuldade, mais ainda assim, conseguem aprender, e sabem coisas que eu não sei, o conhecimento é vasto, e ninguêm tenho o conhecimento total de algo, então visto assim, acredito que temos que agregar, a cada um de nós, o que nos falta em conhecimento, pouco a pouco, para estarmos melhores preparados, para o futuro.

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Sobre o Autor
Alexandre Freire é Consultor Sênior do Instituto MVC e professor dos MBAs Executivos da FGV.
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