Sempre gostei de aprender sobre a motivação das pessoas no trabalho; o que é que faz com que alguém siga uma rotina: levante cedo, enfrente alguma dificuldade para chegar ao trabalho, resolva diversos problemas, muitos deles agindo ao mesmo tempo, deixe o escritório quando já escureceu, e, com tudo isso, encontre tempo para querer se aperfeiçoar mais, aprender outras técnicas e, dormindo já tarde, programe o despertador para acordar no mesmo horário do dia anterior, bem cedinho.
Existem diversas teorias e listas sobre quais seriam esses fatores de motivação; certamente você já leu ou ouviu as pessoas comentarem. Bem, eu vou dar minha teoria, baseada em pesquisas empíricas e, claro, em minha vivência.
Observando estagiários, trainees, analistas, coordenadores, gestores, diretores, enfim, cheguei, basicamente, a duas opções ou fatores, que são decisivos para causar a felicidade no emprego ou a busca por outras oportunidades; estes fatores podem estar em conjunto ou separados - uma pessoa pode ter apenas um fator e se satisfazer; outras precisarão dos dois - e, sem dúvida, quem não tem nenhum desses fatores ou opções, deve começar imediatamente a buscar novas terras...
Os fatores são muitos simples: você fica numa empresa porque sua remuneração é boa e/ou porque você vê oportunidades de crescimento.
Quando falo em remuneração, não falo apenas no salário em si, mas em todos os benefícios visíveis ou não que o acompanham, como refeição, planos de saúde, bônus, subsídios a cursos, etc. E, quando refiro-me à oportunidades de crescimento, falo não somente em subida de cargos na hierarquia - pela maior responsabilidade, mas também de chances de aprender coisas novas, liderar outras áreas,etc.
O ideal, naturalmente, é ter esses dois fatores. Se você só tem a remuneração, pode sentir-se até frustrado em não ter desafios, ter sempre a mesma rotina, mas, se o ângulo financeiro for o suficiente para você, esse tédio é superado. Quer um exemplo? Uma pessoa que deseja comprar uma casa. Ela é criativa, dedicada; tem uma boa remuneração; mas só cumpre o script - em nada pode inovar. Ela continuará nessa empresa? Não tenho dúvidas que sim, pelo menos até conseguir o seu objetivo - que nesse caso é comprar uma casa. Depois disso, o fator remuneração talvez já não seja tão importante, e essa pessoa irá buscar algum lugar onde haja oportunidades de crescimento.
E, falando no fator oportunidades de crescimento, talvez você não tenha uma ótima remuneração, por outro lado, você tem chance de aprender coisas novas, de aprimorar suas habilidades. Sempre há desafios para serem vencidos e você se realiza em sentir-se útil - ainda que com remuneração abaixo da esperada. Outro exemplo? Uma pessoa deseja aprender mais habilidades e conhecimentos e, então, desenvolve-se excepcionalmente numa empresa - neste tempo, seu salário é bem menor do que a média de mercado; entretanto, quando essa pessoa se sente preparada, começa em busca do outro fator - a remuneração - seja dentro da própria empresa ou no mercado. Se a empresa não corresponder, pronto: temos mais um candidato empregado em busca de um novo emprego.
Onde quero chegar? Na minha experiência, percebi que realmente só compensa ficar numa empresa se ao menos você tem um destes fatores; e naturalmente o peso de cada um é alterado conforme nossas expectativas de carreira e de vida pessoal se alteram. Por isso mesmo, se atualmente você não tem nem remuneração nem aprendizado, é um sinal claro que sua hora de mudar chegou! Afinal, tenha certeza de que há empresas que buscam profissionais com o seu perfil, dispostas a remunerá-lo de acordo ou fornecer-lhe a oportunidade de crescer e desenvolver suas habilidades.
E por que é importante você saber isso? Bem, além da utilização prática para sua própria carreira, é muito interessante você avaliar o que a sua empresa fornece ao seu time. Suponha que você esteja satisfeito e, portanto, querendo permanecer na sua empresa atual; naturalmente, você deseja montar uma equipe de alta performance. Será que aquilo que você oferece em termos de salário ou aprendizado são suficientes para atrair e manter esses profissionais qualificados? Se não for corra, porque esse conhecimento tácito dos fatores salário e aprendizado é amplamente conhecido no mercado de trabalho - e não tê-los significa perder gente boa.
Neste artigo, é claro que estou abordando o lado do funcionário. Como empregador, quais são os fatores ou o fator que faz com que você mantenha um time? Também há? Claro que sim! Só que isso é assunto para outro encontro.
Carlos era um super-profissional: iniciava sua jornada de trabalho sempre antes do que a empresa pedia e sempre deixava o escritório depois do horário que a empresa o pagava. Mas, tudo bem: ainda serei recompensado, ainda serei visto!, dizia ele. Carlos queria muito ocupar uma nova posição de liderança - ainda mais porque não via nada de novo há muito tempo em suas atividades diárias.
A surpresa foi quando surgiu a esperada vaga de liderança que Carlos almejava: ele não foi chamado ao menos para uma entrevista - nem um e-mail padronizado de "obrigado por tentar mas não foi dessa vez" ele recebeu...; Carlos foi preterido descaradamente - ou invisivelmente ignorado, como preferir.
E Carlos continuava com seu mantra: não tem problema; não fui nem chamado para a seleção da vaga, né? Pois agora, a partir de agora mesmo, mostrarei meu valor ainda mais!
E, esperando sempre a próxima oportunidade naquela empresa, Carlos ficou por lá um bom tempo; até ser demitido por redução de custos.
Caro internauta do iMasters, qual é sua experiência sobre mudar ou continuar numa empresa? Quando você sente que é hora de mudar ou continuar mais?
Envie sua historia para eduardo.souza@imasters.com.br e lerei, no próximo artigo, alguns e-mails dos internautas.
E peço aqui sua sugestão para uma novidade que faremos no iMasters, que é seção de PodCasts. Você tem algum tema que desejasse que fosse abordado sobre Gerência de TI? Mande seu e-mail para eduardo.souza@imasters.com.br para criarmos a pauta.
Até mais!
Realmente, são fatores que pesam no trabalho! Continue escrevendo bons artigos como este!
Eduardo Souza
Obrigado, Vinícius! Acho que é possível fazer essa "fatoração" em 2 itens, das diversas teorias de motivação no trabalho.
Reinaldo da Silva Torres
Sabe Eduardo, ler isso me fez refletir bastante minha vida profissional e pensando pelo ponto de vista q vc colocou no seu artigo, eu vejo que isso realmente sempre aconteceu comigo.
Trabalhei em uma empresa e ganhei pouco mas aprendi mt, tive desafios ganhei a base de todo conhecimento que tenho hj e isso me segurou na empresa por 5 anos, então troquei pois procurei a remuneração.
Atualemtente estou sem desafios e adivinha o q eu tenho procurado? La vou eu fazendo meus planos novamente. rs
Abs cara e parabéns pelo artigo
Eduardo Souza
Hahaha. Que legal, Reinaldo. Boa sorte em sua procura!
Parabens pelo artigo... é um tema muito bacana e pouco comentado.. e que ajuda a gente a refletir sobre o nosso dia-a-dia.... Eu mesmo, acabo de passar por essas mudanças... é o que mais me motivou? O DESAFIO!!! ate comentei sobre isso num post no meu blog.. depois da uma passada la pra conferir... http://edimarramos.wordpress.com/2008/09/12/vida-nova/ Que venham os proximos artigos...
Eduardo Souza
Oi, Edimar.
Li seu artigo no blog...Parabéns por buscar novos desafios!
O que acho interessante, nisso tudo, é que atitude é a palavra-chave, certo? Mesmo quem queira novos desafios ou remunerações, se não tomar determinadas ações, como buscar, atualizar-se, fazer networking, etc, não vai conseguir nada.
Bastante sucesso na Squadra Tecnologia!
Cristiane Tuji
Edu,
Li seu artigo mas estou aqui para comentar sobre um ensinamento muito maior que você, como profissional ético e observador me deu há uns 2 anos.
Eu tinha um sonho. Entrar em uma empresa de tecnologia que por acaso ficava próxima de onde eu morava. Sempre que eu passava em frente eu profetizafa "Eu vou trabalhar aqui um dia". E eu me preparei e tentei. Me esforcei ao máximo para entrar, e não consegui. Sabe porquê? Porque eu era muito qualificada para a função. Algum tempo depois eu entrei, através de uma indicação. Sonho realizado? Não! A empresa era tudo o que eu imaginava, o salário era bom, a perspectiva de carreira também, mas sabe o que me desmotivou a tal ponto de eu ir embora para ganhar muito menos? O sentimento de incompetência. Pela primeira vez na vida eu me sentia incompetente, improdutiva, meio jogada, sem orientação...
Eu busquei informação, mas faltou que o gestor olhasse para mim, observasse a minha característica e me desse a chance de buscar o conhecimento que eu precisava para ser uma boa profissional. Eu fui chamada de uma pessoa pouco resiliente!
Mas eu não me ofendi, porque aquela crítica não era construtiva.
Foi através de uma conversa com você, onde você apontou com franqueza e sem ofensas os pontos fracos que você enxergava em mim. Suas palavras sim surtiram efeito sobre a minha maneira de encarar os desafios.
Eu não mudei da água para o vinho, porque existem valores aos quais eu não abro mão, mesmo que sejam vistos como falta de comprometimento.
E saiba que essa nossa conversa me fez chegar muito mais longe do que eu esperava em tão pouco tempo.
Um dia terei a oportunidade de agradecer pessoalmente, mas gostaria de deixar registrado aqui o quanto você é especial como ser humano, para que todos saibam!
Eu te admiro e me espelho em você.
Muito obrigada por tudo!
E parabéns pelo trabalho como colunista, professor e blogueiro. Como tudo o que você faz, seus trabalhos são excelentes!
Eduardo Souza
Cris,
Fico imensamente feliz por você ter alcançado sucesso maior do que você planejou! Ser perseverante é algo divino; ter humildade, também. Nem todas pessoas possuem isso. Quem consegue combiná-las, ganha o mundo!
Parabéns pelo sucesso! E continue em frente, porque todos nós estamos sempre no começo de novas jornadas.
Até mais.
Olá,
Gostei muito da matéria, sou um eterno instatisfeito até que a Empresa prove o contrário, entro numa Empresa e no período de experiência (e depois também) faço uma avaliação se vale a pena continuar ou não.
Se não valer a pena, não penso duas vezes, procuro outra oportunidade.
Abraços.
Eduardo Souza
Adolfo,
Também acredito muito nessa tese de avaliar nosso empregador constantemente - afinal, não há bondade numa relação de trabalho: um profissional recebe porque produziu e fez por onde.
Espero que mais pessoas - as vezes estacionada no famoso "comodismo" - possam mudar e ter sua atitude.
Até mais.
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